Golpe do falso advogado é a terceira maior fraude no Brasil, representando 11,2% dos casos
Golpe do falso advogado representa 11,2% das fraudes no Brasil, sendo o terceiro mais comum.
O golpe do falso advogado tem se tornado uma preocupação crescente no Brasil, respondendo por 11,2% das fraudes financeiras registradas. Este esquema ocupa a terceira posição entre os tipos de fraudes mais comuns no país, apenas atrás do golpe da loja falsa e do golpe da falsa central de atendimento.
Um levantamento recente analisou dados do segundo semestre de 2025 e do primeiro semestre de 2026, comparando-os com os mesmos períodos do ano anterior. Os dados foram coletados de instituições financeiras que utilizam soluções de prevenção de fraudes, revelando a prevalência deste tipo de golpe em comparação com outros métodos fraudulentos.
Como funciona o golpe
O golpe se aproveita da publicidade dos registros processuais no sistema jurídico brasileiro. Criminosos obtêm informações sobre processos e dados pessoais, entrando em contato com as vítimas pelo WhatsApp. Eles apresentam uma suposta decisão favorável e solicitam um pagamento antecipado via Pix para “liberar” o valor devido. O foco principal dos golpistas são pessoas que estão aguardando processos de previdência ou precatórios, que geralmente envolvem quantias maiores.
Nos últimos tempos, as técnicas utilizadas pelos golpistas evoluíram, incluindo o uso de inteligência artificial para clonar vozes de advogados legítimos, tornando o golpe ainda mais convincente.
O relatório indica que, em média, cada golpe envolve 3,08 tentativas de pagamento. Em 20% das situações, as vítimas estavam em uma ligação ativa durante a transação, sugerindo que os golpistas oferecem instruções em tempo real. Além disso, as sessões de pagamento fraudulentas duram três vezes mais do que as legítimas, com 90% das tentativas ocorrendo durante o horário comercial.
Caso registrado em Campinas
Um caso emblemático ocorreu no início de 2026 em Campinas, SP. Um cliente de um banco digital foi vítima do golpe sem que os sistemas de segurança tradicionais emitissem alertas. As transações foram realizadas a partir do mesmo dispositivo que o cliente usava há mais de dois anos, em uma rede doméstica, sem sinais de acesso remoto ou malware.
Entretanto, o comportamento da vítima mudou drasticamente. Em uma única tarde, ela abriu seis sessões de pagamento, todas com ligações ativas, um padrão incomum para sua conta. As sessões de pagamento foram significativamente mais longas do que a média histórica, com uma delas durando mais de 27 minutos, e a taxa de ociosidade indicando que a vítima estava seguindo instruções.
Dinheiro pulverizado em contas de passagem
O estudo também investigou contas de passagem utilizadas pelos golpistas. Em um período de quatro semanas, uma dessas contas recebeu R$ 83.797 de 62 pagadores diferentes. Um único pagador transferiu R$ 35 mil em apenas quatro pagamentos, evidenciando a estratégia de movimentar os recursos rapidamente após o recebimento, dificultando a recuperação dos valores.
Engenharia social lidera fraudes no país
O golpe do falso advogado é parte de um fenômeno maior relacionado ao crescimento da engenharia social. Nos últimos meses analisados, os golpes desse tipo aumentaram 15%, com um aumento de 88% na detecção de chamadas ativas durante sessões bancárias. Além disso, as fraudes por acesso remoto e pagamentos via malware também apresentaram crescimento significativo.
A CEO de uma renomada firma de advocacia destaca a intersecção entre engenharia social e o uso de deepfakes de voz, enfatizando que a inteligência artificial tem proporcionado aos fraudadores métodos mais convincentes de manipulação.
O relatório identifica quatro sinais comportamentais que podem ajudar as instituições financeiras a detectar o golpe do falso advogado e outras fraudes semelhantes:
- Ligação ativa durante a sessão bancária, que é um forte indicativo de alerta;
- Tempo ocioso elevado, sugerindo que a vítima está ouvindo instruções;
- Sessões de pagamento que duram mais do que o habitual;
- Valores crescentes nas transações, onde os golpistas começam com quantias menores antes de aumentar.
Até o final do primeiro semestre de 2026, mais de 370 instituições financeiras estavam utilizando soluções avançadas de prevenção a fraudes, analisando bilhões de sessões de usuários mensalmente e protegendo uma vasta quantidade