Gonet solicita investigação sobre interferência de Mendonça em inquérito que envolve Moraes
Procuradoria-Geral da República investiga possível interferência de ministro na Polícia Federal.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) notificou o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, sobre a abertura de uma apuração referente à suspeita de interferência indevida do ministro André Mendonça na Polícia Federal.
O procurador-geral, Paulo Gonet, destacou que o magistrado solicitou a elaboração de um relatório sobre mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e autoridades, sem informar o Ministério Público. As autoridades investigadas incluem o ministro Alexandre de Moraes, o próprio Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Gonet ressaltou que a decisão relacionada à Petição n. 15.556/DF foi mantida em sigilo, impedindo o Ministério Público de exercer o controle externo necessário nas atividades policiais, o que é fundamental para qualquer investigação.
Edson Fachin havia solicitado que a PGR, Mendonça, Moraes e a PF se manifestassem em um prazo de cinco dias. Na comunicação enviada ao presidente do STF, Gonet pediu a investigação sobre a possível ocorrência de ordem ou interferência externa que possa ter comprometido o conteúdo do relatório.
Um relatório extenso, com 218 páginas, elaborado pela PF e enviado a Mendonça, menciona Gonet e expõe conversas entre ele e Vorcaro. Nos diálogos, Gonet expressa saudade do banqueiro, que é acusado de fraudes em montante superior a R$ 12 bilhões contra o sistema financeiro nacional.
Além disso, Gurgel aceitou um convite para uma degustação de uísque e charutos em Londres, custeada por Vorcaro, evento que também contou com a presença dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
O Conselho Superior do Ministério Público Federal decidiu iniciar uma investigação sobre a conduta do procurador-geral da República, em resposta a um pedido do Partido Novo.
O ministro Moraes é o mais diretamente afetado pela situação. O documento da PF revela que ele editou uma minuta de contrato de R$ 129 milhões entre o escritório de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master.
Além disso, foi revelado que, dois dias antes de sua prisão, Vorcaro questionou Moraes sobre a possibilidade de fugir do país e pediu sua intercessão junto ao diretor-geral da PF e a Paulo Gonet.
O relatório da PF também indica que a banca da família de Moraes recebeu um avião e um helicóptero como parte do pagamento por um contrato de R$ 50 milhões com uma empresa do banqueiro, além de cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos do casal.
Após a divulgação do relatório da PF, Moraes reagiu, incluindo Mendonça no inquérito das fake news, alegando que ele havia agido de forma parcial em investigações relacionadas ao Master e aos desvios envolvendo aposentados do INSS. Moraes afirmou ainda que a elaboração do relatório comprometeu a cadeia de custódia e a produção de provas.
Para tentar conter a crise, Fachin estabeleceu um prazo de cinco dias para que todos os envolvidos se manifestassem e assumiu a relatoria da investigação contra Mendonça.
Nesta sexta-feira, em um pronunciamento ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fachin defendeu o encerramento do inquérito das fake news, que tem sido utilizado por Moraes para perseguir adversários.
