Governo intensifica críticas à família Bolsonaro e ameaça retaliação em caso de tarifa de 25% dos EUA
Governo brasileiro critica família Bolsonaro por suposta sabotagem em negociações comerciais com os EUA.
O governo federal manifestou sua indignação em relação à família Bolsonaro, acusando-a de ingerência e de comprometer o diálogo comercial entre Brasil e Estados Unidos. A Secretaria de Comunicação da Presidência da República divulgou uma nota nesta terça-feira (2) em resposta à proposta de taxar produtos brasileiros em 25% por parte dos EUA.
A nota destaca que a investigação iniciada em julho de 2025 foi provocada por ações da família Bolsonaro, associando-as a tentativas de interferência em assuntos internos do Brasil. O governo também denunciou a colaboração de indivíduos que, segundo a nota, utilizam cargos públicos para conspirar contra os interesses nacionais.
O governo lamentou que o trabalho de articulação realizado para promover um diálogo construtivo, que envolve diretamente os presidentes Lula e Trump, esteja sendo prejudicado por interesses eleitorais e familiares. Além disso, a nota ressalta que o Brasil se reserva o direito de adotar medidas de reciprocidade em resposta a injustiças no comércio internacional.
Os ataques à família Bolsonaro, especialmente ao senador Flávio Bolsonaro, ocorreram em um contexto de tensão, após os EUA classificarem organizações criminosas brasileiras como terroristas. O governo brasileiro já havia mencionado a família em uma nota anterior relacionada a essa decisão.
Na nota, o governo enfatizou que não há justificativa para as medidas unilaterais impostas pelos EUA, que também afetam patrimônios brasileiros, como o sistema de pagamentos PIX. O documento apresenta dados do Bureau of Economic Analysis dos EUA, que indicam um superávit de US$ 424,5 bilhões em bens e serviços acumulado pelo país em relação ao Brasil nos últimos 15 anos.
Além disso, a nota aponta que, em 2025, 76% das importações dos EUA para o Brasil foram isentas de impostos, com a alíquota média de produtos norte-americanos no Brasil sendo de apenas 3,1%. O governo brasileiro afirma que tarifas unilaterais prejudicam a economia e a geração de empregos no país.
As negociações entre Brasil e Estados Unidos continuam na busca de soluções para encerrar a investigação sem a imposição de tarifas. O governo reafirma sua expectativa de que as recomendações não se transformem em tarifas efetivas e que tomará medidas para proteger a economia e os empregos dos brasileiros.
Os argumentos apresentados pelo Brasil nas negociações incluem a defesa do tratamento equitativo para empresas nacionais e estrangeiras, a não restrição ao mercado brasileiro para produtos norte-americanos e a aplicação de leis anticorrupção robustas. O governo também destacou a proteção de direitos de propriedade intelectual e as condições do Programa Nacional de Biocombustíveis, que permite a participação de produtores estrangeiros.
Por fim, o governo brasileiro reafirma seu compromisso com a redução do desmatamento e a proteção ambiental, com metas estabelecidas para zerar o desmatamento até 2030 e resultados positivos já alcançados na redução da área desmatada na Amazônia Legal.
