Governo renova subsídio ao diesel e analisa vulnerabilidade do agro diante da alta dos combustíveis

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Governo prorroga subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel para mitigar impactos econômicos.

O governo federal anunciou a prorrogação do subsídio ao diesel, mantendo o valor de R$ 2,12 por litro por mais 30 dias. A decisão visa atenuar os efeitos da elevação dos preços internacionais do petróleo, impulsionados por conflitos geopolíticos e instabilidades no mercado global.

Recentemente, o barril do petróleo Brent, referência internacional, foi negociado entre US$ 100 e US$ 106, alcançando um pico de US$ 113,17. Para as autoridades, preços superiores a US$ 70 geram pressão significativa nos custos internos do combustível.

A desvalorização do real também contribui para o aumento dos custos de produção e importação de diesel. Apesar de o Brasil ser um grande produtor de petróleo, cerca de 20% do diesel consumido no país é importado, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Em agosto, as importações de diesel representaram 23,14% das vendas nacionais do diesel A, que ainda não inclui a mistura obrigatória de biodiesel.

A combinação desses fatores resulta em:

  • O preço do diesel comum subiu 6,67% na primeira quinzena de outubro, atingindo uma média de R$ 7,20 por litro, enquanto o diesel S-10 aumentou 5,07%, chegando a R$ 7,46 por litro. Desde janeiro, o diesel comum teve um aumento acumulado de 15,2%.
  • Os preços variam entre as regiões do país. No Norte, o litro do diesel comum custava, em média, R$ 7,75, enquanto o S-10 estava em R$ 7,80. Em Roraima, o diesel comum chegou a R$ 8,19, e no Acre, o S-10 atingiu R$ 8,30. No Sul e Sudeste, a média do diesel comum era de R$ 6,97 por litro.

Esse aumento impacta diretamente o transporte de cargas, que no Brasil é realizado em grande parte por caminhões. No setor agropecuário, o encarecimento do combustível pode elevar os custos de frete e de produção, refletindo nos preços dos alimentos.

Agricultores do Rio Grande do Sul expressam preocupação com a possível escassez de diesel nas vésperas do plantio da safra de verão, indicando que a alta nos preços pode gerar dificuldades no abastecimento.

Por que o Brasil precisa importar diesel?

Entre janeiro e agosto, a produção de diesel pela Petrobras aumentou 18,5%, passando de 32,7 milhões para 38,7 milhões de barris. Contudo, essa produção não foi suficiente para atender toda a demanda interna.

No primeiro semestre de 2026, o Brasil consumiu 213,2 milhões de barris de diesel, com a produção nacional alcançando 154,8 milhões de barris, enquanto as importações totalizaram 43,5 milhões de barris, correspondendo a 20,4% do consumo no período.

A dependência de importações está ligada à capacidade de refino do país. O petróleo extraído precisa ser processado em refinarias para se transformar em diesel e outros derivados. Nos últimos anos, a Petrobras vendeu refinarias a empresas privadas, como parte de um programa de desinvestimento.

Especialistas questionam os custos de produção do diesel nas refinarias brasileiras, apontando que, em algumas situações, o combustível nacional é mais caro do que o importado. Para reduzir a dependência das importações, é necessário ampliar e modernizar as refinarias e rever os investimentos da Petrobras no setor.

Por que a alta do diesel pesa tanto no Brasil?

A partir da segunda metade do século XX, o Brasil priorizou o transporte rodoviário de cargas, o que aumentou a dependência do diesel. Essa realidade faz com que a alta nos preços do combustível eleve os custos do frete e, consequentemente, o transporte de mercadorias.

“Os combustíveis, especialmente gasolina e diesel, têm um impacto significativo sobre o transporte de mercadorias. O Brasil é um país extenso e precisa transportar cargas por longas distâncias, o que afeta a produtividade”, afirma um especialista.

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