Governos de direita dominam entre os 48 países na geopolítica da Copa
A Copa do Mundo de 2026 reflete as divisões políticas globais.
A Copa do Mundo de 2026 se destaca como a maior da história, com a participação de 48 seleções. Essa ampliação não só altera a dinâmica do torneio, mas também o transforma em um reflexo das tensões políticas ao redor do mundo.
Um levantamento indica que, entre os países classificados, 25 são governados por líderes de direita ou centro-direita, enquanto 13 estão sob administrações de esquerda ou centro-esquerda. Os 10 restantes são dirigidos por líderes de centro, monarquias ou regimes com classificações ideológicas menos claras.
Esses números não são oficiais, mas sim uma classificação editorial que considera o partido, a coalizão, o programa de governo e a trajetória dos líderes de cada país.
O torneio, que será realizado na América do Norte, ocorre em um contexto de crescente polarização e nacionalismo. Por trás das camisas e bandeiras, existem democracias consolidadas, monarquias, regimes autoritários e lideranças populistas, refletindo a complexidade do cenário político global.
A direita e a centro-direita dominam entre os governos representados, incluindo desde países moderados como Alemanha e Portugal até lideranças mais radicais, como nos Estados Unidos e na Argentina.
A esquerda e a centro-esquerda também têm uma presença significativa, com países como Brasil, México, Colômbia, Espanha, Uruguai, África do Sul e Inglaterra, que são governados por partidos trabalhistas, social-democratas ou progressistas.
A sede tripla da Copa exemplifica essa diversidade política. O México é liderado por Claudia Sheinbaum, de esquerda, enquanto o Canadá tem Mark Carney, um liberal centrista, e os Estados Unidos são comandados por Donald Trump, uma figura proeminente da direita global.
O torneio, portanto, ocorre em um continente que apresenta três abordagens distintas às crises democráticas contemporâneas: progressismo social, tecnocracia de centro e populismo nacionalista.
Na América Latina, as diferenças são igualmente marcantes. Lula, Sheinbaum, Gustavo Petro (Colômbia) e Yamandú Orsi (Uruguai) representam diversas versões da esquerda, enquanto Javier Milei (Argentina), Santiago Peña (Paraguai), Daniel Noboa (Equador) e José Raúl Mulino (Panamá) evidenciam a força da direita na região.
A Copa, que sempre despertou sentimentos nacionais, agora também reflete uma região em disputa entre diferentes projetos de Estado e políticas sociais.
Nem todos os países se encaixam perfeitamente na dicotomia clássica de esquerda e direita. Em monarquias e regimes autoritários, a ideologia do líder é frequentemente menos relevante do que a estrutura de poder. Em países como Irã, Iraque e Arábia Saudita, a classificação deve ser vista como uma aproximação pessoal de seus líderes.
Além disso, há nações onde a polarização esquerda-direita não domina os debates. Na Escócia, por exemplo, o foco está na relação com o Reino Unido, enquanto na Bósnia e Herzegovina, a disputa é entre influências étnicas. Na Turquia, o debate gira em torno da aproximação aos princípios islâmicos.
A Copa do Mundo frequentemente é vista como uma trégua entre nações. Durante o torneio, governos, torcedores e jogadores parecem unidos pela linguagem do futebol. No entanto, a política nunca está totalmente ausente.
Regimes utilizam vitórias esportivas para demonstrar força, enquanto democracias buscam na seleção uma imagem de unidade. Líderes populistas tentam se associar à emoção das arquibancadas, e monarquias investem no esporte para aumentar seu prestígio internacional.
Historicamente, o torneio tem sido um instrumento de comunicação geopolítica. Um exemplo marcante ocorreu em 1974, quando a seleção da União Soviética se recusou a jogar contra o Chile em protesto ao regime militar de Augusto Pinochet.
Na edição atual, as tensões se repetem. Em meio ao conflito entre Estados Unidos e Irã, a proibição de entrada de turistas iranianos pode significar que a seleção persa jogue em estádios americanos sem apoio de sua torcida.
