Grandes empresas de tecnologia acumulam milhares de placas da Nvidia sem espaço para instalação
Gigantes da tecnologia enfrentam gargalos enquanto acumulam hardware de IA.
Empresas como Microsoft, Amazon, Google e Meta estão investindo pesadamente em infraestrutura de inteligência artificial, mas enfrentam um problema significativo: uma grande quantidade de hardware de última geração permanece desconectada devido à falta de centros de dados e energia elétrica adequados.
Esse acúmulo de equipamentos tem gerado comparações com crises financeiras do passado, com fabricantes defendendo que a estocagem de tecnologia antes da ativação é uma prática comum em revoluções industriais.
Desde o início de 2023, foi estimado que a Nvidia e a Broadcom venderam mais de 560 bilhões de dólares em processadores e sistemas para inteligência artificial. No entanto, cerca de metade desse estoque permanece inoperante, aguardando conexão elétrica.
Relatos indicam que, dos 12 gigawatts de capacidade total da Microsoft, apenas cerca de dois gigawatts estão dedicados à computação para IA. O CEO da empresa, Satya Nadella, admitiu que a companhia possui hardware que não pode ser conectado à rede elétrica.
Estima-se que a Microsoft tenha entre 50 bilhões e 100 bilhões de dólares em placas gráficas ainda lacradas. A Amazon enfrenta uma situação semelhante, com um investimento projetado de 220 bilhões de dólares em infraestrutura de IA, mas com um fluxo de caixa negativo.
Com a falta de potência elétrica imediata em suas instalações, os equipamentos permanecem guardados, aguardando a oportunidade de serem colocados em operação.
O cenário não apresenta uma solução rápida. Apesar do crescimento trimestral expressivo da AWS, a diretoria prevê que o fluxo de caixa negativo persista por anos. As projeções atuais indicam que a demanda continuará a superar a infraestrutura disponível, mesmo até 2027.
Somando os investimentos de grandes empresas como Microsoft, Meta, Google e Amazon, o total chega a aproximadamente 760 bilhões de dólares, refletindo a magnitude do comprometimento financeiro com a infraestrutura de IA.
A situação de endividamento gerou preocupações, com especialistas comparando o atual cenário ao período que precedeu a crise financeira de 2008. Relatos indicam que as nove maiores empresas de tecnologia acumulam uma dívida fora do balanço de cerca de três trilhões de dólares.
A principal preocupação reside na possibilidade de que essas dívidas estejam lastreadas por esquemas de crédito privado, colocando em risco investimentos relacionados a aposentadorias e seguros.
Além disso, a inteligência artificial exigirá um capital significativo anualmente, dificultando a margem de manobra em caso de necessidade de resgates governamentais. Isso levanta a necessidade de tratar a infraestrutura de IA como um serviço público estratégico.
Enquanto isso, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, argumenta que a escassez de energia e a lentidão na construção de data centers funcionam como um “freio saudável” para evitar um superaquecimento do mercado.
Por outro lado, o líder do SoftBank, Masayoshi Son, desconsidera a ideia de “bolha”, e Nadella destaca que o sucesso do setor dependerá da aceitação da tecnologia pelo consumidor em larga escala.
Os impactos dessa concentração de chips já estão sendo sentidos pelos usuários finais, com aumentos nos preços de módulos de memória RAM e armazenamento, afetando dispositivos como consoles de videogame e smartphones de categoria intermediária.
Smartphones premium, computadores de mesa e notebooks estão sendo vendidos a preços mais elevados do que no ano anterior, mesmo sem uma evolução proporcional em suas especificações.
Empresas como a Lenovo já preveem que, mesmo após a superação das dificuldades logísticas, os preços dificilmente retornarão aos níveis anteriores, pois o consumidor tende a aceitar aumentos significativos por equipamentos essenciais, reduzindo os incentivos para a indústria diminuir suas margens de lucro.