Guajajara critica governo Bolsonaro por desmantelamento da política indigenista

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Movimento indígena prioriza participação política após desmonte de políticas indigenistas.

A recente trajetória política dos povos indígenas no Brasil ganhou novos contornos após a gestão de Jair Bolsonaro, que foi marcada pela desarticulação das políticas voltadas para a proteção e promoção dos direitos indígenas. A deputada federal Sonia Guajajara, do PSOL-SP, destaca que essa realidade impulsionou a necessidade de uma maior presença indígena nas eleições e no Congresso Nacional.

Durante uma entrevista, a parlamentar ressaltou que as experiências vividas sob o governo anterior evidenciaram a urgência de os indígenas ocuparem diretamente os espaços de decisão política. Ela apontou que houve um desmonte significativo da política indigenista, resultando no enfraquecimento de órgãos essenciais como a Funai e o Ibama, que perderam sua capacidade de atuação e proteção das comunidades indígenas.

Segundo Guajajara, a direção desses órgãos passou a ser ocupada por pessoas sem a devida experiência na área, o que comprometeu a proteção dos direitos indígenas. A parlamentar enfatizou que a saúde indígena e a Funai foram geridas por militares e delegados que não tinham qualquer familiaridade com as realidades e necessidades das comunidades indígenas.

A deputada também apontou que, além da perda de capacidade institucional, houve um incentivo político que favoreceu a exploração ilegal de terras indígenas. Ela afirmou que, durante esse período, houve promessas de legalização de ocupações e atividades de garimpo, o que estimulou invasões e a exploração dos territórios.

Da resistência à disputa eleitoral

A pandemia e os desafios enfrentados durante o governo Bolsonaro mudaram a percepção do movimento indígena em relação à participação na política institucional. Historicamente, havia uma resistência à disputa eleitoral, com receios de que lideranças se tornassem parte da estrutura do Estado e perdessem sua autonomia. Contudo, essa visão começou a se transformar diante das dificuldades enfrentadas nos últimos anos.

Guajajara afirmou que a compreensão da importância de ter representações indígenas em espaços de decisão se intensificou durante a pandemia, quando os desafios se tornaram mais evidentes.

Estratégia nacional para ampliar a bancada

A mudança de postura se reflete nas eleições de 2026, com candidaturas indígenas sendo organizadas nacionalmente através do projeto Aldear a Política. Essa iniciativa reúne organizações e lideranças indígenas em torno de uma estratégia comum para fortalecer a representação no Legislativo.

Apesar do apoio das comunidades, a deputada ressalta que ainda é necessário que os partidos priorizem os candidatos indígenas para garantir uma representação mais robusta.

Representação ainda é pequena

Atualmente, apenas três deputados indígenas estão na Câmara dos Deputados. Para Sonia, é fundamental ampliar essa bancada para que pautas relacionadas aos direitos indígenas, à preservação ambiental e à soberania nacional tenham maior espaço no Parlamento.

Ela enfatizou que a presença indígena na Câmara é crucial, pois representa a voz legítima dos povos indígenas. Além disso, a presença de indígenas no Congresso fortalece a democracia ao refletir a diversidade da sociedade brasileira.

Guajajara concluiu que é imprescindível aumentar a representatividade indígena no Congresso Nacional, afirmando que, enquanto essa representação não for alcançada, não se pode falar em uma democracia plena.

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