Guerra na Ucrânia é ‘justa’, afirma presidente russo em discurso contundente no Dia da Vitória e critica a Otan
Putin justifica guerra em discurso do Dia da Vitória enquanto trégua é anunciada entre Rússia e Ucrânia.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, utilizou o discurso anual do Dia da Vitória, celebrado em 9 de maio, para defender a guerra com a Ucrânia e criticar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Durante seu discurso de oito minutos, Putin afirmou que “o grande feito da geração vitoriosa inspira os soldados que hoje executam as tarefas da operação militar especial”. Ele destacou que os militares russos enfrentam uma força agressiva, armada e apoiada pela Otan, garantindo que “nossos heróis avançam”.
Putin também expressou sua convicção de que a causa russa é justa e reafirmou que a vitória do passado será sempre lembrada.
O desfile, que é o feriado nacional mais significativo na Rússia, commemorou a vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazista e prestou homenagem aos 27 milhões de cidadãos soviéticos que perderam a vida, incluindo muitos ucranianos.
Diferentemente de anos anteriores, o evento não contou com a exibição de mísseis e equipamentos militares nas ruas da Praça Vermelha. Em vez disso, imagens de armamentos como o míssil balístico intercontinental Yars e o novo submarino nuclear Arkhangelsk foram transmitidas em telões e pela televisão estatal.
Soldados e marinheiros marcharam e aplaudiram Putin, que assistiu ao evento ao lado de veteranos. Tropas norte-coreanas, que lutaram na região russa de Kursk, também participaram da comemoração.
Trégua de três dias
Após um período de acusações mútuas de violações de cessar-fogos, o presidente dos Estados Unidos anunciou um cessar-fogo de três dias, que foi apoiado tanto pelo Kremlin quanto por Kiev. Além disso, os dois lados concordaram em trocar 1.000 prisioneiros.
Trump expressou seu desejo de que a guerra entre Rússia e Ucrânia terminasse, chamando-a de “a pior coisa desde a Segunda Guerra Mundial em termos de qualidade de vida”. Ele também manifestou o desejo de uma extensão da trégua.
A Rússia, que iniciou a invasão da Ucrânia em 2022, havia advertido que qualquer tentativa de Kiev de interromper o desfile resultaria em um ataque maciço. Diplomatas estrangeiros foram instruídos a evacuar suas equipes em Kiev caso isso ocorresse.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, emitiu um decreto irônico permitindo que o desfile militar russo prosseguisse, afirmando que as armas ucranianas não teriam como alvo a Praça Vermelha.
A segurança em Moscou foi intensificada, com a presença de soldados armados e ruas bloqueadas. As autoridades russas cortaram a internet do centro da cidade, resultando em um ambiente de incerteza entre os moradores sobre a possibilidade de paz entre os dois países.
Os cidadãos expressaram a frustração com a situação atual, com muitos duvidando que a paz seja alcançada em breve. A expectativa é que Putin ainda conduza reuniões bilaterais após a comemoração.
