Guerra Não É Jogo: Embaixador do Brasil no Irã Descreve Explosões, Tremores e Tragédias do Conflito
Embaixador do Brasil em Teerã relata os horrores da guerra no Irã.
André Veras Guimarães, embaixador do Brasil em Teerã, compartilha suas experiências e observações sobre a atual guerra no Irã, marcada por intensos bombardeios e devastação. Ele descreve a realidade alarmante que vive diariamente na capital iraniana.
Morando no último andar de um prédio, Veras testemunhou repetidos estrondos e tremores que o despertavam durante a noite, enquanto explosões iluminavam o céu. A situação se agravou com o passar dos dias, levando o diplomata a afirmar que “guerra não é videogame”.
“Ninguém consegue passar incólume por uma situação dessas. Eu vejo aqui tudo acontecendo”, relata o embaixador em entrevista.
Com o conflito se estendendo por 46 dias, a estimativa do governo iraniano aponta para mais de 3,5 mil mortes, resultado de ataques que, segundo Veras, não são precisos, apesar da tecnologia avançada disponível. Ele destaca que a morte de uma figura pública em um bombardeio frequentemente resulta em muitas outras vidas perdidas e destruição de estruturas.
Um exemplo trágico mencionado por Veras é o ataque à Escola Primária Shajareh Tayyebeh, onde um míssil americano causou a morte de 175 pessoas, a maioria meninas. Essa tragédia ilustra a gravidade dos danos colaterais, que o embaixador critica como uma forma de minimizar as consequências da guerra.
“Dano colateral é a destruição de prédios que não eram os alvos [militares]. Dano colateral são os feridos, os mortos”, desabafa Veras.
Ele ressalta a importância de refletir sobre a normalização de atos de violência e a aceitação de medidas que nunca seriam toleradas em outros contextos. Um levantamento recente revelou que 22 escolas e 17 instituições de saúde foram danificadas, mas a Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano informou que os números podem ser ainda mais alarmantes.
O cessar-fogo anunciado em 7 de abril trouxe um breve alívio, mas a expectativa de novos ataques persiste entre a população. Veras descreve a atmosfera em Teerã como uma mistura de apreensão e medo, especialmente após declarações provocativas do presidente dos Estados Unidos.
O embaixador observa que a retórica agressiva de líderes mundiais gera um clima de insegurança, levando a população a temer por sua segurança e a questionar as verdadeiras motivações por trás das hostilidades. Ele também menciona a resiliência da sociedade iraniana, que, apesar das sanções e da guerra, mantém uma rotina relativamente estável.
Veras, que assumiu seu cargo em junho de 2025, relata que muitos brasileiros deixaram o Irã sem dificuldades, utilizando as fronteiras abertas. No entanto, a situação continua a exigir vigilância e cuidado, pois os desafios enfrentados pela população iraniana são profundos e complexos.
