Haddad apresenta plano de segurança para São Paulo com agência antifraude e inteligência artificial para aprimorar policiamento
Fernando Haddad apresenta propostas para segurança pública em São Paulo.
O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, lançou suas propostas para enfrentar a criminalidade no Estado. Entre as principais iniciativas, destaca-se a criação de uma Agência Estadual Antifacção, que funcionará como um centro permanente de inteligência e investigação, unindo órgãos estaduais e federais no combate a organizações criminosas.
Intitulado “SP Que Protege”, o programa organiza as propostas de segurança pública em três frentes: “nas ruas”, “nas casas” e “no andar de cima”. A primeira frente visa aprimorar o policiamento por meio de Inteligência Artificial (IA) e maior integração entre as forças de segurança. A segunda se concentra na proteção de mulheres, crianças e idosos, enquanto a terceira prevê ações contra o crime organizado, inspiradas na Operação Carbono Oculto, a maior ação contra a infiltração do crime na economia formal no Brasil.
Para desarticular o crime organizado, Haddad propõe a criação da Agência Estadual Antifacção, que será presidida pelo governador e contará com a participação do Ministério Público, polícias, Receita Estadual e órgãos de controle. O objetivo é bloquear patrimônios, eliminar mecanismos criminosos na economia formal e destinar bens confiscados para fins sociais.
Na frente “nas ruas”, Haddad sugere o uso de tecnologia para um policiamento mais eficaz. O plano inclui o uso de IA para cruzar imagens de câmeras de monitoramento, dados de ocorrências e chamadas ao 190, criando mapas de calor que indiquem onde e quando os crimes ocorrem.
O sistema de emergência 190 terá uma resposta rápida, com chamadas cruzadas em tempo real com o sistema de inteligência e câmeras, permitindo o acionamento imediato da viatura mais próxima. A proposta visa transformar múltiplos roubos em uma única investigação, com suspeitos e provas robustas.
Além disso, Haddad pretende implementar o Placar da Segurança, que divulgará trimestralmente indicadores de esclarecimento de crimes como roubo, furto, homicídio e feminicídio, com dados abertos por região e metas públicas. O ex-ministro busca reduzir o número de roubos de celular, que representam uma parte significativa das ocorrências na capital paulista.
Na frente “nas casas”, o foco está na proteção de mulheres, crianças e idosos. Haddad planeja fortalecer a Delegacia da Mulher (DDM) para melhorar a categorização de casos e facilitar o acionamento da polícia. Uma plataforma com IA será criada para cruzar dados e alertas, permitindo que a DDM intervenha antes que tragédias ocorram.
Para crianças e adolescentes vítimas de violência, o candidato promete atendimento especializado e realização de provas periciais em até 48 horas. Já para os idosos, a proposta inclui um canal de denúncias que garantirá resposta e acompanhamento de cada caso.
No interior do Estado, Haddad propõe patrulhamento de corredores logísticos como parte de uma estratégia permanente contra roubo de cargas. O foco será no combate ao furto de gado, maquinário e insumos, além da receptação que financia esses crimes, com atenção especial aos pequenos produtores e articulação com estados vizinhos.
O candidato também pretende criar uma força-tarefa permanente no Porto de Santos, com um orçamento próprio, envolvendo o Estado, a Agência Estadual Antifacção, Receita Federal, Polícia Federal, autoridade portuária e Marinha, visando combater o tráfico transnacional e outros crimes relacionados ao porto.
Haddad ainda propõe um plano de carreira estruturado para a polícia, com valorização salarial e promoções baseadas em critérios profissionais, além de câmeras corporais com gravação contínua durante todo o serviço.
A segurança pública foi colocada como um tema central na campanha de Haddad, que busca reverter a dificuldade histórica da esquerda em abordar essa questão. Para desenvolver seu plano, o candidato dialogou com especialistas, incluindo aqueles ligados ao PSDB, seu rival político, e também com delegados e coronéis críticos à gestão do atual governador.
A campanha de Haddad acredita que, apesar da segurança ser uma pauta mais associada à direita, a forte sensação de insegurança em São Paulo pode abrir espaço para que ele se posicione como a melhor opção para enfrentar o problema. O tema foi destacado no primeiro debate entre os candidatos, realizado no último domingo.