Haddad critica Vorcaro e estabelece ligação com Tarcísio e apoiadores de Bolsonaro

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Haddad nega contato com Vorcaro e ligações com Tarcísio de Freitas

O candidato do PT ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad, declarou que nunca teve qualquer interação com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e reiterou suas conexões com o atual governador Tarcísio de Freitas, seu adversário na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.

Em uma sabatina transmitida pela TV Globo, Haddad foi questionado sobre o escândalo relacionado ao Banco Master e a crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele destacou que Vorcaro havia financiado as campanhas de Tarcísio e do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022.

<p"O empresário nunca esteve em meu círculo, não recebi mensagens ou telefonemas dele", afirmou Haddad, ressaltando que sua equipe já havia identificado Vorcaro como um potencial problema, embora a gravidade da situação não fosse totalmente compreendida na época.

O ex-ministro da Fazenda enfatizou que Vorcaro não contribuiu para sua campanha, mas sim para as de Tarcísio e Bolsonaro, além de ter laços com ex-ministros do governo Bolsonaro. Ele destacou a origem do empresário no Banco Central, sob a gestão de Roberto Campos Neto, e a necessidade de afastá-lo do cenário político.

Vorcaro, em uma delação premiada que foi rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, alegou que suas doações a Tarcísio e Bolsonaro, totalizando R$ 5 milhões, eram, na verdade, propinas organizadas em conjunto com Gilberto Kassab, na época secretário de Governo de Tarcísio.

Essas doações foram feitas em nome de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, com o intuito de assegurar o funcionamento do Credcesta, um cartão de consignado vinculado ao Banco Master, após a posse de Tarcísio.

Tarcísio, por sua vez, negou ter qualquer relação com Vorcaro e afirmou desconhecer os fatos mencionados. Kassab também desqualificou as alegações de Vorcaro como fantasiosas, refutando-as energicamente.

Durante a sabatina, Haddad pediu a quebra de sigilos relacionados às investigações do Banco Master. Recentemente, o ministro André Mendonça, do STF, atendeu a um pedido do presidente da corte, Luiz Edson Fachin, e retirou o sigilo sobre dados de pagamentos do Master, conforme relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

A Polícia Federal já havia solicitado a Mendonça a liberação de dados sigilosos para auxiliar nas investigações, que visam detalhar o sistema de pagamentos do Master e de fundos associados ao banco.

O escândalo do Banco Master também revela conexões com o entorno de Jair Bolsonaro. O candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, admitiu ter solicitado a Vorcaro parte dos R$ 130 milhões prometidos para a produção do filme “Dark Horse”, sobre seu pai, dos quais R$ 60 milhões já teriam sido pagos.

A investigação da Polícia Federal está apurando a possibilidade de desvio de verbas públicas para a produção do filme, por meio de emendas do deputado Mario Frias e um contrato da Prefeitura de São Paulo com uma organização ligada à produtora do filme.

Além disso, a PF descobriu que Vorcaro organizou um evento em Lisboa em 2024, restrito a um grupo específico de políticos, incluindo Ciro Nogueira, Fábio Faria e outros ex-ministros de Bolsonaro.

Mensagens encontradas pela Polícia Federal indicam que Vorcaro teria ordenado um pagamento de R$ 350 mil em dinheiro vivo para Ciro Nogueira.

No âmbito do PT, o senador Jaques Wagner deixou a liderança do governo Lula no Senado após ser investigado pela Polícia Federal devido a sua relação com o Banco Master. Ele admitiu ter recebido caronas e ingressos para eventos, reconhecendo que o contrato do banco com sua nora foi maior do que os R$ 3,5 milhões divulgados, mas negou qualquer irregularidade.

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