Idoso é sentenciado a quase 36 anos de prisão por abuso sexual de duas crianças no interior do Rio Grande do Sul
Idoso condenado a 36 anos por abuso sexual de crianças em Alegrete.
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) obteve a condenação de um homem de 79 anos por crimes de abuso sexual de duas crianças em Alegrete. As penas somadas totalizam quase 36 anos de prisão.
Segundo informações do processo, o réu era amigo das famílias das vítimas e frequentava suas casas, criando um ambiente de confiança que foi explorado para cometer os abusos ao longo de vários anos. As vítimas tinham apenas 6 anos quando os ataques começaram.
O idoso foi condenado em ações penais distintas, recebendo uma sentença de 17 anos, nove meses e dez dias de reclusão para cada acusação. Assim, o total de pena equivale a 35 anos, 6 meses e 20 dias, a serem cumpridos em regime fechado, sem possibilidade de recorrer em liberdade.
A promotora Rochelle Jelinek, que atuou nos processos, enfatiza a necessidade de vigilância contínua e da colaboração da sociedade para denunciar abusos. Ela destaca que o abuso sexual infantil, embora ocorra muitas vezes no ambiente familiar, é um crime que causa danos irreparáveis às crianças, geralmente perpetrado por indivíduos próximos que conquistam a confiança das vítimas.
Além disso, a promotora ressalta a importância de desconstruir estereótipos sobre os agressores. Muitas vezes, eles são vistos como pessoas de confiança, o que dificulta o reconhecimento do crime. “Nos processos, ouvimos que o réu ‘era uma pessoa trabalhadora’, como se isso fosse impossível de coexistir com a prática de abusos”, afirma Jelinek.
Ela ainda alerta que o perfil do abusador é diversificado e muitas vezes está ligado a pessoas conhecidas das vítimas. Estudos mostram que 86% dos crimes sexuais contra crianças são cometidos por familiares ou amigos da família, o que reforça a necessidade de acreditar nas vítimas e fortalecer as redes de proteção.
Com isso, é essencial romper o silêncio que permite a continuidade desses delitos e garantir que o abuso sexual infantil não permaneça invisível na sociedade.
