iFood denuncia Keeta ao Cade por práticas de preços predatórios

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iFood denuncia práticas predatórias da concorrente Keeta ao Cade

O iFood protocolou uma representação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) contra a Keeta, uma plataforma de delivery controlada pela chinesa Meituan, devido à prática de preços predatórios no Brasil.

A empresa solicita a abertura de um processo administrativo e uma medida preventiva para interromper a venda abaixo do custo. Além das questões concorrenciais, o iFood destaca um problema mais amplo relacionado às práticas de mercado.

A Meituan, que na China defende regras contra o uso excessivo de capital e subsídios, estaria adotando uma postura contraditória ao aplicar táticas que repudia em seu país de origem no mercado brasileiro.

Recentemente, autoridades chinesas propuseram novas regulamentações para evitar que empresas utilizem sua vantagem financeira para competir de forma desleal, incluindo a prática de preços abaixo do custo. A Meituan teria demonstrado apoio a essas novas diretrizes.

“No Brasil, cupons de até R$ 250 e descontos de até 80% aumentam a frequência de pedidos sem elevar o gasto efetivo do consumidor, enquanto restaurantes investem em capacidade para atender uma demanda em parte artificial.”

A tese do iFood ao Cade aponta que empresas com grande capacidade financeira podem suportar prejuízos por longos períodos, oferecendo preços que concorrentes menores não conseguem igualar. Após conquistar uma fatia significativa do mercado, as condições comerciais poderiam ser alteradas em benefício da empresa dominante.

Esse fenômeno é conhecido no debate concorrencial como “deep pocket”, referindo-se a empresas com recursos financeiros suficientes para suportar perdas que seriam insustentáveis para competidores menores.

O pedido do iFood se fundamenta nos artigos 36 e 84 da Lei nº 12.529/2011, que trata da Defesa da Concorrência. A empresa argumenta que a tentativa de dominar o mercado por meio de práticas predatórias pode configurar uma infração à ordem econômica.

A denúncia do iFood é respaldada por um estudo da Escola de Economia da Universidade Fudan, na China, que analisa os efeitos da guerra de subsídios no mercado chinês em 2025. Segundo os dados, embora o volume de pedidos tenha aumentado em 7%, a receita dos restaurantes caiu 4%, evidenciando uma das principais preocupações do iFood.

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