Inadimplência das pessoas físicas registra leve queda no Rio Grande do Sul pelo segundo mês consecutivo
Inadimplência apresenta leve queda no Rio Grande do Sul em junho de 2026.
O nível de inadimplência de pessoas físicas no Rio Grande do Sul registrou, em junho, a segunda queda consecutiva. O índice de adultos com restrições em crédito, cheque ou protesto diminuiu de 37,2% para 37%. Esse movimento foi semelhante ao de Porto Alegre, onde a taxa apresentou um leve recuo de 37,8% para 37,5%.
Este é o primeiro sinal de redução em ambos os indicadores desde 2024. Contudo, as taxas permanecem em níveis historicamente elevados, indicando que o endividamento das famílias continua a ser um dos principais desafios para a economia local.
A pesquisa sugere que essa recente diminuição está ligada, em grande parte, aos efeitos de programas de renegociação de dívidas implementados pelo governo federal, como o “Novo Desenrola Brasil”. No entanto, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Porto Alegre considera que esses resultados ainda são temporários e não refletem uma mudança estrutural no cenário da inadimplência.
Oscar Frank, economista-chefe da CDL, enfatiza que, apesar da melhora observada, é necessário cautela na interpretação dos dados. Ele ressalta que a renegociação de dívidas oferece um alívio crucial para muitas famílias, mas não ataca as causas subjacentes da inadimplência, que incluem a pressão inflacionária, o alto custo do crédito e a diminuição do poder de compra. Além disso, a falta de educação financeira e o aumento das apostas esportivas agravam a situação financeira da população.
Empresas: queda maior
No que diz respeito ao segmento empresarial, a melhora foi ainda mais significativa. No Rio Grande do Sul, o índice de empresas com pendências financeiras caiu de 17,3% para 16,2%. Em Porto Alegre, a redução foi de 17,4% para 16%. Essa é a terceira queda consecutiva e a maior redução mensal desde que a série histórica começou em junho de 2022.
Esse desempenho positivo é atribuído à flexibilização das condições de crédito para micro e pequenas empresas, com programas como Pronampe e Procred, além do início do ciclo de redução da taxa básica de juros. Apesar disso, o estado ainda detém o maior índice de inadimplência empresarial do Brasil, com uma taxa muito superior à média nacional, que é de 11,5%.
Oscar Frank alerta que, apesar dos sinais de melhora, ainda é cedo para afirmar que há uma reversão consistente na inadimplência. O cenário macroeconômico atual exige cautela, especialmente diante das incertezas internacionais e dos impactos do conflito no Oriente Médio sobre a inflação, que continuam a apresentar desafios significativos para consumidores e empresas.
