Inalação controlada de ar rarefeito pode aliviar sintomas do Parkinson

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Estudo revela que a exposição controlada ao ar rarefeito pode beneficiar pacientes com Parkinson.

Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) descobriram que a exposição controlada e intermitente ao ar com baixa oxigenação é segura e pode trazer benefícios para pessoas com doença de Parkinson. A técnica, conhecida como hipóxia intermitente, não prejudica o sono e pode modular hormônios e marcadores inflamatórios.

Os resultados preliminares da pesquisa abrem caminho para investigações mais aprofundadas sobre o uso dessa técnica como terapia complementar para a condição. A hipóxia intermitente visa estimular respostas adaptativas do corpo sem sobrecarregá-lo.

Os pesquisadores observaram que a técnica ativa mecanismos de proteção que podem ser benéficos para os pacientes, permitindo a realização de estudos com um número maior de voluntários e protocolos de longo prazo.

A doença de Parkinson afeta cerca de 11 milhões de pessoas em todo o mundo e é caracterizada pela degeneração de neurônios produtores de dopamina, resultando em sintomas motores como tremores e rigidez, além de manifestações não motoras que incluem distúrbios do sono e processos inflamatórios.

Embora os medicamentos ajudem no manejo da doença, eles não promovem as alterações metabólicas necessárias para aliviar todos os sintomas. O exercício físico é atualmente a única estratégia eficaz para melhorar as manifestações clínicas, levando os pesquisadores a investigar se a hipóxia controlada poderia atuar como um tratamento complementar.

O estudo, publicado na revista Parkinsonism & Related Disorders, contou com a participação de 30 voluntários, metade com Parkinson e metade saudáveis. Durante o experimento, os participantes respiraram ar com apenas 10% de oxigênio em ciclos intercalados, comparando com uma sessão de controle onde respiraram ar normal.

Marcadores sanguíneos

Os resultados mostraram que uma única sessão de hipóxia intermitente reduziu temporariamente os níveis de cortisol e leptina nos voluntários com Parkinson, além de aumentar a adiponectina, uma substância com ação anti-inflamatória. Esses efeitos foram observados mesmo 24 horas após o experimento.

Os pesquisadores notaram que o desequilíbrio dessas substâncias está ligado à inflamação cerebral e distúrbios hormonais, sendo a modulação do metabolismo um possível desencadeador de efeitos positivos no sono dos pacientes.

Contrariando as expectativas, a hipóxia não causou alterações nos parâmetros do sono, como número de despertares ou tempo para adormecer, tanto em pacientes quanto em voluntários saudáveis. Isso sugere que a técnica não interfere negativamente na qualidade do sono.

Embora uma sessão tenha sido suficiente para modificar biomarcadores, os pesquisadores destacam a necessidade de estudos mais longos para avaliar melhor a reorganização do ciclo de sono-vigília.

O estudo também confirmou que a técnica não alterou as taxas de ferro no sangue nem elevou os níveis de interleucina 6, reforçando a segurança do método. Além disso, a exposição à hipóxia intermitente ajudou a manter a proteína BDNF, essencial para a proteção neuronal.

Os pesquisadores ressaltam a importância de manter os níveis de BDNF estáveis, já que essa proteína costuma diminuir durante períodos de inatividade física, o que não ocorreu durante a exposição à hipóxia intermitente.

O papel da hormese

A base do efeito benéfico da hipóxia intermitente reside no conceito de hormese, que se refere à capacidade do organismo de se adaptar a pequenos estresses. A pesquisa indica que a exposição controlada à hipóxia pode proporcionar adaptações positivas para pacientes com Parkinson.

Esse tipo de exposição é frequentemente utilizado para a preparação de atletas, mas poucos grupos de pesquisa têm investigado sua eficácia em pessoas com Parkinson. A alternância entre ar rarefeito e ar normal, aliada ao controle rigoroso da dose, é fundamental para os benefícios observados.

Os pesquisadores explicam que o controle preciso da exposição à hipóxia é o que gera os efeitos positivos, diferindo do mal agudo da montanha, que resulta de um estresse contínuo e prolongado em grandes altitudes.

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