Indústria alerta que tarifas de Trump agravam desafios para exportadores
Entidades do setor industrial expressam preocupação com novas tarifas dos EUA
Entidades representativas da indústria brasileira estão alarmadas com a recente imposição de tarifas adicionais pelos Estados Unidos, que podem impactar significativamente as exportações do Brasil.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) destacou que a nova sobretaxa agrava um cenário já complicado para as vendas brasileiras no mercado americano, que se tornaram mais desafiadoras desde a implementação de tarifas em 2025.
Dados indicam que as exportações do Brasil para os EUA caíram 13%, resultando em uma perda de aproximadamente US$ 2,6 bilhões, com a queda mais acentuada nas vendas de bens industriais, como produtos siderúrgicos e derivados de petróleo.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, enfatizou que 20 dos 27 estados brasileiros já reportaram redução nas exportações para os EUA no primeiro semestre de 2026, o que indica um desvio preocupante na relação comercial entre os dois países.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou a abordagem do governo brasileiro nas negociações, afirmando que a nova tarifa é um golpe duro para a competitividade da indústria nacional. A entidade argumenta que a retaliação comercial poderia ter sido evitada com uma condução mais técnica e pragmática.
A Fiesp também observou que a decisão dos EUA, que afeta exclusivamente o Brasil, coloca os exportadores nacionais em desvantagem em relação a concorrentes internacionais, prejudicando a relação bilateral construída ao longo de mais de dois séculos.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) também expressou sua preocupação, afirmando que a tarifa adicional de 25% eleva os custos para os produtos brasileiros e ameaça a competitividade. A entidade solicitou clareza sobre os produtos afetados e os prazos de implementação, além de um tratamento justo para contratos em andamento.
A Amcham Brasil considerou a tarifa “muito negativa” e pediu a retomada do diálogo, ressaltando que a medida pode impactar mais de US$ 11 bilhões em exportações brasileiras e aumentar os custos para empresas e consumidores americanos.
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) também manifestou preocupação, afirmando que a tarifa pode elevar incertezas nas relações comerciais e comprometer investimentos. O setor de máquinas e equipamentos é crucial, com os EUA sendo o principal destino das exportações brasileiras.
Embora a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) tenha celebrado a exclusão de alguns produtos da lista de tarifas, ainda há preocupação com itens essenciais que permanecem sob sobretaxa, representando um volume significativo de exportações.
As entidades estão atentas aos desdobramentos dessa situação e continuarão a trabalhar em busca de soluções que possam mitigar os impactos das tarifas, visando preservar a competitividade da indústria brasileira e fortalecer as relações comerciais com os Estados Unidos.