Indústria gaúcha registra crescimento na produção em junho após dois meses de queda
A indústria gaúcha registra crescimento em junho, mas desafios permanecem.
A produção da indústria gaúcha apresentou um crescimento em junho, após dois meses de retração. O índice alcançou 50,7 pontos, ultrapassando a linha dos 50 e indicando uma expansão das atividades industriais.
Segundo o presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier, este resultado é um sinal positivo, embora o ambiente econômico ainda requer cautela. Ele destaca que, apesar da recuperação, a demanda continua sob pressão, e fatores como juros elevados e custos de matérias-primas limitam o crescimento. Bier enfatiza a necessidade de adotar medidas que fortaleçam a competitividade das empresas e promovam um ambiente propício para investimentos e criação de empregos.
O índice de número de empregados também apresentou um pequeno avanço, subindo para 48,9 pontos em junho. Contudo, este número ainda está abaixo dos 50 pontos, o que indica uma continuidade na redução do emprego industrial. A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) subiu para 70%, um aumento de três pontos percentuais em relação ao mês anterior, marcando o maior nível desde outubro de 2025. O índice de UCI em relação ao usual alcançou 44,9, embora ainda esteja abaixo do considerado normal para o período. Além disso, os estoques de produtos finais cresceram, com o índice alcançando 53 pontos, evidenciando uma continuidade no aumento dos estoques em relação ao mês anterior.
Expectativas do setor
As expectativas dos empresários para os próximos seis meses indicam um avanço nas projeções de exportações, que chegaram a 49,1 pontos, e nas compras de matérias-primas, que alcançaram 49,2. Contudo, ambos os indicadores permanecem abaixo da linha dos 50, sinalizando uma expectativa de retração. O índice de expectativa de emprego caiu para 48,3 pontos, sugerindo uma perspectiva de diminuição no quadro de pessoal. Em contrapartida, o índice de expectativa de demanda ficou acima da linha dos 50, registrando 50,6 pontos, o que indica uma expectativa de crescimento na demanda nos próximos meses. Com isso, as expectativas para o futuro se mantêm moderadamente pessimistas, com três dos quatro indicadores abaixo da linha dos 50.
Intenção de investimento
A intenção de investimento na indústria gaúcha diminuiu 0,9 ponto em junho, passando de 53,4 para 52,5 pontos. Apesar dessa queda, o indicador ainda está levemente acima da média histórica de 52,1 pontos. Durante o levantamento, 54,9% dos empresários consultados afirmaram a intenção de realizar investimentos nos próximos seis meses.
Análise do segundo trimestre
O levantamento também trouxe dados sobre o segundo trimestre do ano. Entre os principais obstáculos enfrentados pela indústria gaúcha, a demanda interna insuficiente foi apontada por 38,3% dos entrevistados, seguida por altas taxas de juros e pelos altos custos das matérias-primas, que foram mencionados por 30,8% dos respondentes.
Embora a percepção sobre a situação financeira das empresas tenha se tornado menos negativa em relação ao trimestre anterior, o cenário ainda é desfavorável. O índice de satisfação com a situação financeira avançou 1,9 ponto, atingindo 45,8 pontos, enquanto o indicador de satisfação com a margem de lucro subiu quatro pontos, alcançando 40,2. Ambos os índices, no entanto, permanecem abaixo da linha dos 50, indicando que a insatisfação ainda predomina entre as empresas.
O acesso ao crédito continua sendo um desafio significativo para o setor, com um indicador de 38,7 pontos, que, apesar de ter subido 2,7 em relação ao trimestre anterior, ainda demonstra dificuldades na obtenção de financiamento. O índice de evolução dos preços dos insumos, por outro lado, recuou 3,1 pontos, para 65,5, embora ainda permaneça em um nível elevado, refletindo a percepção generalizada de aumento nos custos das matérias-primas.
A pesquisa foi realizada entre 1º e 10 de julho, envolvendo 134 empresas industriais do Rio Grande do Sul, divididas entre 30 de pequeno porte, 41 de médio porte e 63 de grande porte.
