Influencer sob investigação por uso de IA para sexualizar evangélicas critica vestuário de jovens em igrejas
Polícia investiga influencer por sexualizar jovens em igrejas
Um influenciador digital está sob investigação policial por supostamente sexualizar jovens em igrejas através de conteúdos publicados em suas redes sociais.
O influencer, que acumula quase 50 mil seguidores em plataformas como TikTok, YouTube e Instagram, tem gerado controvérsia ao comentar sobre o vestuário de fiéis, afirmando que alguns vestidos “marcam o corpo”. Ele critica o comportamento de fiéis que tiram fotos dentro dos templos e as postam online.
“Algumas mostram o rosto, mas mostrando outras partes também. E hoje em dia, as roupas que as irmã [sic] usam são roupas que marcam o corpo”, diz o influenciador em um de seus vídeos. “Eu acho assim, não tem nada a ver, tudo bem, cada um com a sua vida, mas eu não acho certo fazer filmagem dentro da igreja.”
O influencer admitiu à polícia que utiliza fotografias de fiéis como base para criar conteúdos em vídeos utilizando a técnica de deepfake, que permite a manipulação de imagens e vídeos de forma realista.
🔎 Deepfake é uma técnica que usa inteligência artificial para criar ou alterar fotos, vídeos ou áudios de forma realista, fazendo parecer que uma pessoa fez ou disse algo que nunca aconteceu.
Investigação em andamento
A investigação começou em fevereiro, quando uma jovem acompanhada de seus pais registrou uma queixa na 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) em São Mateus, Zona Leste de São Paulo. O caso rapidamente se transformou em um inquérito policial, com acompanhamento do Ministério Público e da Justiça.
O influenciador é suspeito de simular cenas de sexo ou pornografia com menores de idade por meio digital, conforme o artigo 241-C do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). As penas para esse crime variam de 1 a 3 anos de reclusão, além de multa. A polícia também investiga possíveis casos de difamação envolvendo outras jovens expostas em seus vídeos.
Uso de inteligência artificial
Em seus vídeos, o influencer menciona como utiliza ferramentas de inteligência artificial para animar as imagens de fiéis. Jefferson, que se apresenta como humorista e borracheiro, tem 37 anos e imita o apresentador Silvio Santos em suas postagens.
“No meu caso, eu posto os vídeos aqui quando eu comecei a fazer a brincadeira com a voz de Silvio Santos”, diz ele. “Pego a foto, as irmãs postando foto de costa, aí eu jogo na IA, a IA faz dançar.”
Após ser contatado para comentar sobre as acusações, o influencer informou que seu advogado se manifestaria. A defesa alegou que as publicações tinham a intenção de sátira e crítica de costumes, negando qualquer intenção de promover exploração sexual ou pornografia.
Pedido de desculpas
Jefferson já havia negado as acusações em depoimento à polícia, minimizando as críticas e afirmando que seu conteúdo era humorístico e visava gerar engajamento. “E eu faço isso. E eles falam que eu estou manchando a obra de Deus, que eu estou colocando mulheres seminuas. Mas não é, pessoal. Tem algumas que eu coloquei lá, mas é uma forma de chamar atenção para poder ganhar seguidores.”
O influenciador mantém o canal “Humor do Crente” no YouTube, com mais de 11 mil inscritos, e perfis em outras redes sociais, onde se apresenta como “Silvio Souza”. Recentemente, ele gravou um vídeo pedindo desculpas aos membros da Congregação Cristã do Brasil, reconhecendo erros em suas críticas à igreja, mas sem mencionar os deepfakes que criou.
Manipulação de imagens sem autorização
Uma das vítimas do influencer é uma adolescente que relatou ter sua imagem manipulada sem autorização. Ela afirmou que sua foto foi utilizada em uma montagem, inserindo-a em um vídeo ao lado de outras mulheres em situações consideradas inapropriadas.
A jovem e sua família iniciaram as investigações ao procurarem a polícia, alegando que Jefferson alterou e erotizou sua imagem. A delegada Juliana Raite Menezes, responsável pela investigação, afirmou que o caso de deepfake está sendo tratado com seriedade, ressaltando que a internet não é uma terra sem lei.
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