Instrutores de fitness baseados em IA geram promessas de resultados exagerados

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Investigação revela anúncios de fitness com personagens gerados por IA que enganam usuários nas redes sociais.

Nos últimos anos, as redes sociais têm sido inundadas por vídeos de fitness que prometem transformações corporais impressionantes em prazos curtos. Esses conteúdos frequentemente apresentam imagens de “antes e depois” e garantias de que é possível parecer mais jovem com rotinas simples.

No entanto, muitos desses resultados parecem bons demais para serem verdade, e em muitos casos, realmente são. Uma investigação recente identificou que diversos anúncios de fitness utilizam personagens criados por inteligência artificial, violando assim as normas de publicidade do Reino Unido.

Esses anúncios frequentemente não deixam claro que as figuras apresentadas são fictícias, levando os usuários a acreditar que estão recebendo conselhos de pessoas reais. O principal objetivo por trás dessas campanhas é a venda de assinaturas de aplicativos de fitness.

Esse cenário levanta questões sobre a veracidade das informações e a importância de saber se os conselheiros de condicionamento físico realmente existem. O aumento do conteúdo gerado por IA nas redes sociais tem atraído cada vez mais usuários em busca de orientação sobre saúde e fitness.

Especialistas afirmam que a tendência é crescente, com muitos anúncios apresentando personagens que alegam ter seguido seus próprios programas de treino, exibindo transformações que são cientificamente impossíveis em tão pouco tempo. Esses vídeos prometem mudanças corporais significativas em prazos extremamente curtos.

Quando os usuários interagem com conteúdos de fitness, os algoritmos rapidamente ajustam seus feeds para mostrar mais desse tipo de material, criando um ciclo vicioso. Especialistas alertam que essa situação faz com que as pessoas fiquem cada vez mais confusas sobre a veracidade do que veem.

O professor de IA Andy Miah destaca que, apesar de a tecnologia ter seus benefícios, o atual cenário é comparável a um “velho oeste” em termos de regulamentação, com anúncios que podem ser prejudiciais e que alimentam expectativas irreais sobre resultados rápidos.

A BBC tentou entrar em contato com as empresas responsáveis por anúncios problemáticos, mas não obteve resposta. A Autoridade de Normas Publicitárias do Reino Unido recebeu um número crescente de reclamações sobre conteúdo gerado por IA, ressaltando a dificuldade de identificar quando a IA foi utilizada em anúncios.

Os anúncios analisados pela investigação apresentavam mensagens semelhantes, como promessas de que programas de treino poderiam fazer as mulheres parecerem “20 anos mais jovens” em um mês ou que um sargento do exército poderia garantir resultados “inacreditáveis” em poucas semanas.

Instrutores de fitness, como David Fairlamb, expressam preocupação com a influência desses anúncios enganosos, especialmente entre os jovens, que podem ter suas expectativas distorcidas. Ele enfatiza que transformações em 28 dias são irrealistas e que a conexão humana no treinamento não pode ser substituída por IA.

A ASA afirma que o uso de IA na publicidade não é proibido, mas que os anúncios devem ser claros e não enganosos. O órgão está tomando medidas contra anunciantes que fazem alegações difíceis de comprovar, focando na educação sobre as responsabilidades na publicidade.

Em meio a essa situação, as plataformas de mídia social afirmam que conteúdos gerados por IA devem ser identificados, mas muitos usuários relatam que esses avisos são frequentemente ocultos ou ausentes. Apesar do crescente volume de conteúdo gerado por IA, a possibilidade de os usuários desativarem esse material ainda não é clara.

A crescente produção de conteúdo gerado por IA nas redes sociais levanta questões sobre a necessidade de regulamentação para proteger os usuários de expectativas irreais e informações enganosas. A tecnologia, embora útil, pode induzir as pessoas a acreditar em promessas que não se sustentam na realidade.

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