Inteligência Artificial impulsiona inovação em bens de consumo e desenvolvimento de produtos

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Inteligência artificial transforma inovação em produtos de consumo

A inteligência artificial (IA) está se consolidando como uma ferramenta estratégica nas indústrias de alimentos, higiene e cosméticos. As empresas estão utilizando essa tecnologia para acelerar a criação de novos produtos, otimizar fórmulas e responder rapidamente às mudanças no comportamento dos consumidores.

Fabricantes de renome global já incorporam modelos de IA em diversas etapas do desenvolvimento de produtos. Essa adoção ocorre em um contexto onde a pressão por inovações rápidas e a busca por eficiência operacional são cada vez mais evidentes.

Um exemplo significativo é o da L’Oréal, que tem utilizado IA em seus laboratórios nos últimos quatro anos. Essa tecnologia permite prever como diferentes moléculas podem afetar a pele e os cabelos, possibilitando a identificação de novas aplicações para ingredientes conhecidos.

Recentemente, a L’Oréal adaptou moléculas de cuidados com a pele para desenvolver um xampu com colágeno, focado em aumentar o volume dos cabelos. A empresa afirma que a implementação da IA quadruplicou a velocidade de criação de novos produtos em comparação com métodos tradicionais.

Essa estratégia faz parte de um programa do CEO Nicolas Hieronimus, que visa acelerar a inovação após um período de crescimento mais lento nas vendas globais.

IA reduz tempo de desenvolvimento e amplia possibilidades de formulação

No setor alimentício, a Mondelez também está ampliando o uso de IA no desenvolvimento de produtos. A empresa utiliza modelos que geram propostas de receitas, incluindo combinações inusitadas, que são posteriormente avaliadas por especialistas.

Além de acelerar a criação de novos alimentos, a tecnologia permite ajustes nas fórmulas para atender às preferências dos consumidores, diminuindo a dependência de fornecedores específicos e fortalecendo a resiliência da cadeia de suprimentos.

A aplicação da IA na Mondelez contribuiu para o desenvolvimento do biscoito Golden Oreo sem glúten e para a reformulação do Chips Ahoy. Dados indicam que cerca de 60% das receitas de biscoitos desenvolvidas com IA superaram critérios como valor nutricional e custos de produção.

Executivos da Mondelez destacam que a principal mudança trazida pela IA não é apenas a geração de novas ideias, mas a redução significativa do tempo para transformá-las em produtos comercializáveis. Projetos que antes levavam meses agora são concluídos em semanas, enquanto iniciativas complexas tiveram seus ciclos reduzidos de anos para meses.

Empresas como Haleon, fabricante de Sensodyne, e Nestlé também estão empregando IA para acelerar a pesquisa e inovação. As aplicações incluem a geração de conceitos para novos produtos, avaliação de ingredientes e identificação de riscos na cadeia de abastecimento.

Essas iniciativas refletem uma mudança no uso da IA nas empresas de bens de consumo. Em vez de focar apenas na automação administrativa, as organizações estão integrando a tecnologia diretamente nas áreas de pesquisa e desenvolvimento.

Essa transformação altera o papel das equipes técnicas, que não são substituídas, mas apoiadas pela IA na exploração de combinações de ingredientes e na redução de experimentos físicos necessários antes da validação final.

Executivos ressaltam que a decisão sobre fórmulas e produtos continua a ser tomada por especialistas humanos, enquanto a IA amplia a capacidade de análise e acelera o processo de inovação.

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