Inteligência artificial revela novas possibilidades no tratamento do câncer de pulmão
Inteligência artificial avança na descoberta de medicamentos com sistema inovador.
Pesquisadores desenvolveram um sistema de inteligência artificial que simula uma empresa de biotecnologia virtual, composta por dezenas de milhares de agentes autônomos organizados em divisões, coordenados por um agente principal.
O estudo, publicado na revista Science, foi liderado por um especialista em ciência da computação da Universidade Stanford, na Califórnia. O objetivo é avaliar até que ponto equipes de agentes de IA podem acelerar a descoberta de novos medicamentos.
O Virtual Biotech integra até 37 mil agentes, que são sistemas de IA interagindo de forma autônoma com grandes modelos de linguagem ou entre si, possuindo a capacidade de realizar tarefas complexas. Esta estrutura imita o organograma de uma empresa do setor, onde um agente no papel de diretor científico supervisiona “funcionários” especializados em áreas como identificação de alvos terapêuticos e desenvolvimento de testes clínicos.
Modelo de gestão e testes
No estudo, a equipe utilizou versões do modelo Claude, desenvolvido por uma empresa de tecnologia, como base de linguagem para os agentes. O pesquisador destaca que qualquer modelo avançado pode ser utilizado, incluindo opções de código aberto que podem ser executadas em computadores pessoais.
Para testar a eficácia do sistema, os pesquisadores solicitaram que ele analisasse mais de 55 mil resultados de testes clínicos de medicamentos para diversas condições. O diretor científico virtual alocou 37.075 agentes para revisar individualmente cada teste em fase avançada. Outros agentes buscaram indicadores de sucesso em conjuntos de dados que revelam quais genes estão ativos em diferentes tipos de células.
A análise revelou que medicamentos direcionados a proteínas ativas em células específicas têm quase 50% mais chances de serem aprovados para o mercado em comparação a outros tratamentos.
Alvo contra câncer de pulmão
Em uma aplicação prática, a equipe pediu ao diretor científico para investigar se a proteína CD276 seria um alvo terapêutico viável para o câncer de pulmão. Estudos anteriores indicavam que a CD276 inibe respostas imunológicas e está presente em grandes quantidades em tumores pulmonares.
Com base nessa informação, o sistema validou a CD276 como uma candidata a partir de dados já disponíveis e formulou uma estratégia para abordá-la: um anticorpo que reconhece a CD276 ligado a um fármaco anticancerígeno. Com a ajuda de revisores externos, o caminho foi classificado como promissor.
Limites da validação
Especialistas que não participaram da pesquisa apontam que o Virtual Biotech ainda não foi testado em um ambiente real de descoberta de medicamentos. As previsões do sistema não foram validadas experimentalmente, tampouco passaram por testes clínicos.
O objetivo é compreender até que ponto equipes de agentes de IA podem contribuir para acelerar a descoberta e o desenvolvimento de novos medicamentos. O estudo foi assinado por vários colaboradores da equipe de pesquisa.