Inteligência Artificial se torna ferramenta eleitoral nos EUA e movimenta mais de US$ 137 milhões

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Uso de inteligência artificial em campanhas eleitorais nos EUA gera controvérsia e críticas.

Protestos do movimento No Kings têm chamado a atenção para a importância do voto antecipado nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, refletindo uma crescente mobilização política.

Pesquisadores identificam uma nova prática chamada “slopaganda”, que combina propaganda política com conteúdos de baixa qualidade gerados por inteligência artificial. Essa abordagem tem sido utilizada por candidatos de ambos os partidos, mas os republicanos, especialmente os aliados ao ex-presidente, têm concentrado a maior parte dos investimentos nessa estratégia.

Um exemplo controverso é o anúncio do candidato democrata Abdul El-Sayed, que o retrata segurando cartas de um jogo de tabuleiro com mensagens provocativas relacionadas aos atentados de 11 de setembro, gerando debates sobre a ética e a sensibilidade de tais campanhas.

“A destruição de Israel e do Ocidente não é apenas um jogo para eles”, afirma um narrador no vídeo. Em seguida, acrescenta: “É uma missão”.

O uso de inteligência artificial na criação de anúncios políticos tem se tornado cada vez mais comum, com um número crescente de campanhas utilizando essa tecnologia para criar conteúdo. Um anúncio notável foi produzido por uma organização ligada ao senador republicano Ted Cruz, que, ao contrário da maioria, informou que foi “criado, total ou parcialmente, com o auxílio de inteligência artificial”.

Poucos anúncios informam o uso de IA

Segundo estudos, apenas uma fração dos anúncios políticos revela o uso de inteligência artificial, dificultando a avaliação da veracidade do conteúdo pelos eleitores. O Wesleyan Media Project, que monitora os gastos com propaganda eleitoral, identificou 220 anúncios gerados com IA, embora a estimativa real seja muito maior.

Dos anúncios analisados, cerca de 81% foram financiados por candidatos republicanos ou grupos associados, enquanto apenas 12% foram de democratas. O investimento em anúncios políticos gerados por IA ultrapassou US$ 137 milhões, um aumento significativo em relação a anos anteriores.

Apesar do crescimento, apenas 27% dos anúncios identificados informam que foram produzidos com inteligência artificial. Nos Estados Unidos, não existe uma regulamentação federal obrigando a divulgação desse uso, embora alguns estados já tenham implementado restrições.

Recentemente, o senador democrata Jon Ossoff expressou sua preocupação com o aumento do uso de IA na propaganda eleitoral, classificando-o como “profundamente preocupante” e um “caminho perigoso rumo à destruição da verdade no debate político”.

Uso de IA na propaganda eleitoral provoca críticas

Ossoff, que está em busca de reeleição, pediu a retirada de um anúncio gerado por IA que não informava sobre o uso da tecnologia e insinuava que ele estava “maquiando” seu relatório de prestação de contas.

Esse anúncio foi financiado pelo Senate Leadership Fund, que apoia candidatos republicanos. Pesquisas de opinião revelam que 73% dos entrevistados consideram inaceitável o uso de IA nas campanhas eleitorais.

Embora o número de anúncios gerados com IA esteja crescendo, especialistas alertam que isso não garante que eles influenciem os resultados das eleições. Um relatório recente indica que a “slopaganda” pode ser mais eficaz na mobilização de eleitores e arrecadação de fundos do que na mudança de votos.

Além disso, a saturação de conteúdos gerados por inteligência artificial pode dificultar a atenção dos eleitores, que se tornam cada vez mais sobrecarregados pela confusão gerada por essa tecnologia.

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