Italiano é condenado à prisão por construir falso anfiteatro romano e enganar turistas com histórias de Júlio César e Cleópatra
Fraude arqueológica em Vicenza resulta em condenação de empresário
O Anfiteatro Berico, situado em Arcugnano, na província de Vicenza, foi promovido como um complexo histórico por mais de dez anos. Durante esse período, o local atraiu turistas que pagavam até 40 euros por ingresso, acreditando estar visitando ruínas antigas.
Franco Malosso, responsável pela estrutura, alegou que o local tinha quase 1.700 anos e que suas ruínas foram reveladas por um deslizamento de terra. No entanto, uma investigação iniciada em 2016 revelou que as supostas ruínas eram, na verdade, uma construção moderna, feita com materiais como concreto e fibra de vidro. Em 2021, Malosso foi condenado a dois anos e quatro meses de prisão, pena que ele começou a cumprir em 2026.
Malosso apresentava o espaço como um sítio arqueológico, fazendo referências a épocas como o neolítico, grego e romano. Ele contava aos visitantes que as estruturas haviam sido descobertas após um deslizamento de terra em 2005, criando um ambiente de expectativa em torno do local.
A área ocupava cerca de 5 mil metros quadrados e contava com arquibancadas, colunas, estátuas, caminhos e até um lago artificial. As visitas eram organizadas de forma a simular uma descoberta histórica recente, atraindo um número considerável de turistas.
Além de criar narrativas históricas, Malosso associava o local a figuras históricas como Júlio César e Cleópatra, e até à Julieta, personagem da obra de Shakespeare, para aumentar o apelo turístico do Anfiteatro.
A atração chegou a ser mencionada em guias turísticos e materiais promocionais, incluindo um guia financiado pela União Europeia, o que conferiu uma aparência de legitimidade ao empreendimento e ampliou a crença na autenticidade da descoberta.
A fraude foi descoberta após a Prefeitura de Arcugnano receber denúncias sobre obras não autorizadas. A partir de 2016, o município tomou medidas para demolir a estrutura e recuperar o terreno, enquanto a polícia e órgãos de proteção ao patrimônio iniciaram investigações sobre a suposta descoberta arqueológica.
Inspeções realizadas por especialistas revelaram que não havia vestígios de uma estrutura arqueológica antiga no local. Análises de imagens de satélite e do terreno indicaram que a área foi modificada para dar origem ao complexo.
As investigações mostraram que as arquibancadas eram feitas de blocos modernos, tratados para parecerem antigas. Além disso, as autoridades encontraram colunas de concreto e estátuas de gesso, confirmando que a estrutura não era uma ruína preservada, mas sim uma construção contemporânea.
Durante o processo, Malosso alterou sua versão dos fatos, inicialmente afirmando ter encontrado um sítio arqueológico. Com o avanço das investigações, ele passou a alegar que apenas reconstruíra uma estrutura que já existia no local, mas essa explicação não convenceu as autoridades.
A batalha judicial se estendeu por anos, resultando na condenação de Malosso por abuso edilício e falsificação de obras de arte. Em dezembro de 2021, a Corte de Cassação italiana rejeitou o último recurso, confirmando sua pena de dois anos e quatro meses de prisão, além de uma multa de 3 mil euros.
Malosso também foi condenado a indenizar o município pelos danos causados, com um valor estimado em 560 mil euros, o que representa um desafio financeiro significativo para a administração pública em relação à remoção da estrutura.
