JN dedica 12 minutos à classificação de PCC e CV como organizações terroristas
Decisão dos EUA classifica PCC e CV como organizações terroristas, impactando o Brasil.
O programa “Jornal Nacional”, da TV Globo, dedicou quase 12 minutos para discutir a recente decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como “organizações terroristas”. A medida foi anunciada na quinta-feira, 28 de maio de 2026.
A cobertura foi dividida em duas partes. A primeira reportagem, com 7 minutos e 9 segundos, contextualizou a decisão do governo norte-americano, explicando as novas classificações: “Terroristas Globais Especialmente Designados”, em vigor a partir da data do anúncio, e “Organizações Terroristas Estrangeiras”, que começará a valer no dia 5 de junho. Além disso, abordou a posição do governo brasileiro, que se opõe a essa classificação.
A segunda parte da cobertura, de 4 minutos e 49 segundos, focou nas implicações jurídicas e econômicas da decisão para o Brasil, bem como os efeitos sobre a relação bilateral entre os dois países.
O governo dos EUA justificou a decisão afirmando que o CV e o PCC estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil. O Departamento de Estado destacou que essas facções “comandam milhares de integrantes” e realizam “ataques brutais” contra policiais, autoridades e civis.
Além disso, o comunicado enfatizou que as atividades dessas organizações vão além das fronteiras brasileiras, afetando outros países da América do Sul e os Estados Unidos.
A decisão ocorreu logo após uma reunião entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente dos EUA, onde o senador solicitou a designação do PCC e do CV como organizações terroristas. Ele declarou ter feito esse pedido diretamente a Trump, embora o governo americano não tenha confirmado essa articulação.
Relação Brasil e EUA
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, já havia discutido a questão em março com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Na ocasião, os EUA sinalizaram a intenção de classificar as facções como “terroristas”, considerando-as “ameaças significativas à segurança regional”.
Dois meses depois, o Brasil expressou sua discordância em relação a essa classificação durante uma reunião em Brasília com autoridades americanas. O governo brasileiro argumenta que o PCC e o Comando Vermelho não se encaixam na definição de “terrorismo” segundo a legislação nacional, pois suas ações são motivadas por interesses econômicos e controle territorial, e não por ideologia.
O Planalto ressalta que essa nova medida pode intensificar uma divergência jurídica já existente com Washington e provocar consequências negativas para instituições financeiras brasileiras. A legislação dos EUA sobre financiamento ao “terrorismo” prevê sanções a bancos e empresas que mantenham relações com organizações classificadas dessa forma, mesmo sem conhecimento direto sobre a ligação com os grupos.
O tema não foi abordado na reunião entre o presidente Lula e Donald Trump em 7 de maio, onde Lula afirmou que a questão de facções criminosas e terrorismo não foi discutida durante a conversa sobre segurança e combate ao crime.
