José Nunes, da Veloe, alerta que sem medir ganhos, a IA se torna um custo
Veloe adota inteligência artificial com cautela e foco em resultados
A Veloe, empresa especializada em mobilidade e gestão de frotas, está reavaliando sua abordagem em relação à tecnologia, especialmente após experiências passadas com o metaverso. A companhia decidiu adotar a inteligência artificial (IA) de forma mais criteriosa, buscando evitar os erros do passado e focando em resultados tangíveis.
José Nunes, gerente-executivo de tecnologia, destaca a importância de acompanhar as tendências do mercado, mas com cautela. A empresa possui uma equipe de 70 profissionais dedicados à inovação e à segurança dos sistemas, e Nunes traz uma vasta experiência de mais de 25 anos na área de tecnologia da informação.
Controlada pela holding Elopar, a Veloe conta com 3 milhões de tags ativas e atende mais de 7 mil empresas. A companhia está presente em todas as rodovias pedagiadas do Brasil e em diversos estacionamentos e aeroportos, prevendo um volume transacionado de R$ 10 bilhões para 2026, com um investimento de R$ 50 milhões.
Ambiente de aprendizado sem restrições
A Veloe criou um ambiente onde a IA pode ser explorada por todas as áreas da empresa, permitindo que equipes de diferentes setores experimentem suas aplicações. A plataforma desenvolvida, chamada Leo, funciona como um copiloto para os funcionários e está disponível para clientes no portal B2B.
Na equipe de tecnologia, a IA trouxe um ganho de 20% a 30% no tempo de entrega, com um foco maior na qualidade das entregas. A curadoria dos conteúdos gerados pela IA é um aspecto importante, garantindo que as informações sejam revisadas antes de serem apresentadas.
Impacto no atendimento ao cliente
Leo também é utilizado no atendimento ao cliente, respondendo a dúvidas sobre produtos e operações. Desde sua implementação, a ferramenta tem contribuído para uma redução significativa no volume de chamadas, com algumas categorias de contato apresentando quedas de até 77%.
A satisfação do cliente tem sido monitorada, e os resultados são positivos. O assistente Leo está em constante evolução, com planos para futuras atualizações que permitirão consultas de dados e execução de tarefas.
Programa de letramento em IA
Para 2027, a Veloe planeja implementar um programa de letramento em IA, abrangendo treinamento formal e a escolha de ferramentas adequadas para cada área. As métricas de sucesso serão definidas por cada equipe, permitindo uma avaliação mais ampla do impacto da IA na empresa.
O executivo enfatiza que as métricas não serão impostas, mas adaptadas às necessidades de cada setor, visando garantir que a IA traga benefícios reais e não se torne apenas uma despesa.
Retorno sobre investimento e governança
Atualmente, a Veloe ainda não mede formalmente o retorno sobre o investimento em IA, mas já observa resultados positivos em áreas como engenharia de dados. O CEO da empresa apoia a iniciativa, permitindo um desenvolvimento mais tranquilo e alinhado com os objetivos estratégicos.
A governança da IA é uma prioridade, considerando não apenas os custos diretos, mas também os riscos de segurança da informação e a estrutura necessária para gerenciar as tecnologias envolvidas.
Dados como base para a IA
A empresa já possui um data lake bem estruturado, que é fundamental para o funcionamento eficaz da IA. A Veloe planeja modernizar essa estrutura para permitir que funcionários acessem informações de maneira intuitiva e sem depender de especialistas.
O futuro do trabalho e a importância da curadoria
José Nunes acredita que, embora a automação de tarefas repetitivas seja uma tendência, a curadoria humana continuará sendo essencial nos próximos anos. A comunicação eficaz e a capacidade de formular perguntas são habilidades que se tornarão cada vez mais relevantes.
O papel do CIO também está em transformação, exigindo uma abordagem mais plural e integrada ao negócio. A adaptação às novas tecnologias deve ser acompanhada de perto, garantindo que a empresa não perca oportunidades nem siga por caminhos errados.