Juiz determina prisão preventiva de MCs e proprietário da Choquei em decisão favorável à PF
Decisão judicial resulta em prisão preventiva de acusados na Operação Narco Fluxo.
Horas após o Superior Tribunal de Justiça conceder habeas corpus a um dos envolvidos na Operação Narco Fluxo, o juiz Roberto Lemos dos Santos Filho decretou a prisão preventiva de 33 acusados, incluindo os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além de Raphael Sousa Oliveira, identificado como proprietário da página Choquei.
A decisão, proferida na quinta-feira (23), atende a um pedido da Polícia Federal, que justificou a medida como necessária para garantir a ordem pública e evitar interferências nas investigações em curso. A PF destacou o risco de continuidade das práticas criminosas e a gravidade dos fatos apurados.
Na mesma manhã, o ministro Messod Azulay Neto havia determinado a soltura dos investigados, alegando “flagrante ilegalidade” na prorrogação das prisões temporárias, que excedeu o prazo inicialmente solicitado pela Polícia Federal.
Enquanto a prisão temporária possui um prazo definido, variando de cinco a 30 dias, a prisão preventiva é indefinida, podendo durar por tempo indeterminado até que o processo judicial seja concluído.
Deflagrada em 15 de abril, a Operação Narco Fluxo envolveu mais de 200 policiais federais e resultou em dezenas de mandados de prisão e busca e apreensão em vários estados do Brasil.
As investigações revelaram que o grupo utilizava uma estrutura complexa para lavagem de dinheiro em grande escala, utilizando empresas de fachada, “laranjas”, rifas virtuais, apostas ilegais e transações financeiras complicadas, incluindo criptomoedas.
A Polícia Federal também investiga possíveis ligações com outras atividades criminosas, como o tráfico internacional de drogas, com operações tanto no Brasil quanto no exterior. Os levantamentos indicam que valores ilícitos eram misturados a receitas aparentemente legítimas, dificultando o rastreamento da origem dos recursos.
MC Ryan SP foi preso durante uma festa na Riviera de São Lourenço, no litoral paulista, enquanto MC Poze do Rodo foi detido em sua residência, no Rio de Janeiro. A operação também mirou influenciadores digitais e empresas associadas ao grupo.
A Justiça determinou o bloqueio de bens que podem somar bilhões de reais. Entre os itens apreendidos estão veículos de luxo e outros bens de alto valor, que, segundo os investigadores, seriam utilizados para ocultar e disfarçar recursos de origem ilícita.
