Justiça italiana considera parcialidade de Moraes e anula extradição de Zambelli

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Corte de Cassação italiana anula extradição de Carla Zambelli por suspeita de parcialidade.

A Corte de Cassação da Itália, a instância máxima do sistema judicial do país, identificou uma suposta falta de imparcialidade por parte do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no caso da ex-deputada federal Carla Zambelli. A decisão anula a sentença que determinava a extradição da ex-parlamentar do território europeu para o Brasil.

Em uma decisão divulgada nesta sexta-feira, a Justiça italiana destacou que Moraes atuou em “dupla veste”, exercendo as funções tanto de julgador quanto de parte afetada pelo crime imputado à Zambelli. O tribunal expressou que existem “múltiplos elementos” que levantam dúvidas sobre a imparcialidade do julgamento.

Carla Zambelli foi condenada por ter invadido o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e por porte ilegal de arma de fogo durante as eleições de 2022. O hacker Walter Delgatti Neto, sob a orientação da ex-deputada, inseriu um mandado falso de prisão contra Moraes no sistema judicial, o que agravou a situação da acusada.

A Justiça italiana considerou que o ministro incorreu em um “acúmulo atípico de funções judiciais”, uma vez que ele não apenas conduziu parte das investigações, mas também foi o juiz responsável por decidir sobre o mérito do caso. Essa situação gerou questionamentos sobre a sua imparcialidade.

No dia 22 de maio, a Corte de Cassação já havia anulado a extradição de Zambelli, que foi solta após a decisão. Em um vídeo publicado em suas redes sociais, a ex-deputada fez uma referência ao dia e à sua companheira de cela, expressando alívio com a nova fase de sua vida.

O processo ainda está pendente de uma decisão do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, que tem um prazo de 45 dias para se manifestar após o acórdão. Antes da decisão recente, a Justiça italiana havia se posicionado a favor da extradição da ex-deputada em dois processos relacionados a condenações no STF. Zambelli teve seu mandato cassado pela Justiça eleitoral de São Paulo em 2025.

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