Kassio enfrenta pressão no STF enquanto grupo a favor de Moraes busca sua exclusão de julgamentos sobre Vorcaro

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Pressão sobre Kassio Nunes Marques aumenta após vazamentos do caso Banco Master.

Nos últimos dias, membros do Supremo Tribunal Federal (STF) intensificaram a pressão sobre o ministro Kassio Nunes Marques, em meio a novos vazamentos relacionados ao caso Banco Master, que têm implicado diretamente o magistrado e sua família.

Aliados do ministro Alexandre de Moraes sugerem que Kassio deve se abster de participar dos julgamentos ligados ao escândalo. O ministro está considerando, após as eleições, a possibilidade de reavaliar sua decisão de se afastar da análise do relatório que inclui mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Nos bastidores, há um consenso entre os ministros de que Kassio deveria permanecer afastado das discussões sobre o caso, especialmente após ter declarado impedimento durante uma sessão convocada pelo presidente Edson Fachin. Essa posição é vista como uma maneira de evitar questionamentos sobre a imparcialidade do tribunal, considerando as novas conexões reveladas.

Kassio tem manifestado a intenção de rever sua decisão de afastamento, considerando a possibilidade de participar dos processos relacionados à investigação do Banco Master. Ele argumenta que sua retirada foi uma medida cautelar, motivada pelo seu cargo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Entretanto, magistrados próximos a Moraes afirmam que reverter a declaração de impedimento é juridicamente complicado, dado que essa decisão possui um caráter mais objetivo. A suspeição pode ser justificada por razões de foro íntimo, mas a declaração de impedimento é mais clara na legislação.

Esse grupo de ministros acredita que novos elementos sobre a atuação de Vorcaro, que buscava vitórias em ações no setor sucroalcooleiro, tornam a participação de Kassio mais problemática. Até então, as ligações do ministro ao caso estavam relacionadas a seu filho, Kevin Marques, em uma subcontratação do banco.

O setor sucroalcooleiro é crucial para a investigação, já que o Banco Master teria adquirido créditos judiciais relacionados a essas disputas. Recentes vazamentos de informações enviadas pela Polícia Federal a gabinetes de ministros incluem menções ao ministro em contextos que sugerem sua atuação para liberar precatórios de Vorcaro.

Na segunda-feira (21), foi reportado que o Banco Master possuía um contrato que previa honorários de até R$ 427 milhões com o escritório da advogada Camilla Ramos, caso obtivesse sucesso em doze processos. Ela e seu marido, o juiz federal Newton Ramos, são mencionados como parte da chamada “Turma do KN”, uma referência a Kassio Nunes.

Mensagens obtidas do celular do ex-banqueiro revelam tratativas entre pessoas ligadas a Vorcaro e Newton, incluindo solicitações de hospedagem e acesso a eventos. Kassio nega ter feito qualquer pedido a Vorcaro ou de ter autorizado terceiros a agir em seu nome.

Atualmente, Moraes conta com o apoio dos ministros Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Flávio Dino. Nesta terça-feira (22), Gilmar solicitou que o julgamento de um caso bilionário relacionado ao setor fosse levado ao plenário, o que gerou tensão entre os ministros, incluindo Kassio.

A proposta de Gilmar será discutida em um plenário virtual da Segunda Turma, onde os magistrados apenas depositam seus votos. A análise está agendada para começar na próxima sexta-feira (25) e se estenderá até 2 de outubro, quando será decidido se o processo será encaminhado ao plenário completo do STF.

O tema das indenizações às usinas voltou a ser debatido após a revelação de que Vorcaro se reuniu com Gilmar em abril de 2024, buscando apoio para seu voto na causa, mas tanto Gilmar quanto André Mendonça votaram contra. Kassio, Dias Toffoli e Fachin, por outro lado, se manifestaram a favor do reconhecimento do débito.

Kassio esclareceu que o processo não era uma ação do Banco Master, mas discutia uma tese aplicável a diversas empresas. Ele também mencionou que inicialmente se considerava impedido por ter decidido o caso quando era vice-presidente do TRF-1, mas depois entendeu que não havia impedimento técnico e solicitou a retificação antes de votar.

As ações discutem indenizações relacionadas ao controle de preços realizado pelo antigo Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), e o Banco Master é mencionado como credor ou cessionário dos créditos, que poderiam resultar em cerca de R$ 8,5

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