Klotho: a nova proteína que promete revolucionar a luta contra o envelhecimento
Descoberta acidental revela potencial da proteína klotho no combate ao envelhecimento.
Em 1997, um erro em um experimento de manipulação genética levou o médico e pesquisador japonês Makoto Kuro-o a descobrir a proteína klotho. Ao tentar criar camundongos com hipertensão, um acidente resultou em animais que envelheceram rapidamente, apresentando problemas como arteriosclerose e deterioração cognitiva em apenas dois meses.
Após quatro anos de investigação, Kuro-o identificou o gene responsável pela alteração e publicou suas descobertas. A proteína klotho, que recebe o nome da deusa grega Cloto, é um dos supressores do envelhecimento mais potentes conhecidos. Ela existe em duas formas: uma ancorada na membrana celular e outra que circula no sangue, sinalizando a saúde do organismo. Os níveis de klotho diminuem com a idade, o que está diretamente relacionado ao envelhecimento.
Uma arma muito poderosa contra o envelhecimento
Pesquisas recentes têm explorado a aplicação da klotho para prolongar a vida e melhorar a saúde. Um estudo significativo realizado por uma equipe internacional de pesquisadores da Universidade Autônoma de Barcelona tratou camundongos com terapia gênica para aumentar a produção de klotho. Os resultados mostraram que os animais tratados viveram entre 15% e 20% mais e apresentaram melhorias na massa muscular, densidade óssea e função cognitiva.
No hipocampo, região do cérebro associada à memória, o tratamento estimulou a geração de novos neurônios. A presença de klotho no sangue é crucial, pois essa proteína desempenha um papel importante na regulação do fósforo nos rins e na redução do estresse oxidativo, além de inibir a senescência celular, um estado que prejudica o funcionamento das células.
Ainda há desafios a serem superados para transferir esses avanços para humanos. Os métodos utilizados em camundongos, como vetores virais, apresentam riscos que precisam ser considerados. Uma alternativa é a administração direta da proteína como um medicamento, mas a estabilidade e eficácia desse sistema ainda precisam ser desenvolvidas.
O setor privado se movimenta
A indústria biotecnológica não está parada. A startup americana Minicircle iniciou um ensaio clínico de fase 1 para testar uma terapia gênica de klotho baseada em plasmídeos. Embora essa terapia ainda não tenha aprovação da FDA, está sendo conduzida em clínicas internacionais.
Além do envelhecimento saudável, empresas como Klotho Neurosciences estão explorando o uso da klotho para tratar doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e esclerose lateral amiotrófica. A BioViva também relatou melhorias em testes cognitivos em pacientes com demência através de uma terapia gênica combinada, enquanto a Avaí Bio trabalha com células que superexpressam a proteína klotho, com resultados esperados para uma conferência em 2026.
Embora os resultados sejam promissores, é importante lembrar que a maioria das descobertas até agora se baseia em estudos com camundongos. Questões sobre os efeitos a longo prazo da superexpressão de klotho e seu impacto no metabolismo ainda precisam ser esclarecidas.
Porém, a realização de ensaios clínicos e o investimento privado em larga escala indicam que a klotho pode ser uma das mais promissoras ferramentas na luta contra o envelhecimento.
