Ladrões furtam 30 mil garrafas de vinho avaliadas em cinco milhões de euros na Itália

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Roubo histórico de vinho na Toscana resulta em prejuízo de 5 milhões de euros.

Entre os dias 3 e 4 de outubro, um audacioso roubo ocorreu em uma vinícola na Toscana, Itália, onde sete homens encapuzados conseguiram levar 30 mil garrafas de vinho da Marchesi Antinori, totalizando um valor estimado em 5 milhões de euros.

Os criminosos desativaram os sistemas de alarme e câmeras de segurança da vinícola localizada em Cortona. Utilizando caminhões com placas falsas, os ladrões carregaram as garrafas com carrinhos de transporte da própria vinícola. O crime só foi descoberto pelos funcionários na segunda-feira seguinte, e a vinícola optou por divulgar o ocorrido apenas na sexta-feira, 9, para não comprometer a investigação em andamento.

Os vinhos roubados incluíram três tintos renomados da safra de 2023: Solaia, Tignanello e Guado al Tasso. De acordo com o diretor-executivo da vinícola, entre 10 mil e 12 mil garrafas de Solaia, uma produção limitada, foram levadas. A safra de 2023 é considerada uma das melhores das últimas décadas, com preços variando de 120 a 500 euros por garrafa. A vinícola, que existe desde 1385 e é administrada pela mesma família há 26 gerações, classifica o incidente como o maior roubo de vinho da história da Itália.

Roubo sob encomenda

O planejamento dos ladrões indica que eles tinham conhecimento detalhado sobre o que estavam levando e onde encontrar. Cortona serve como um ponto logístico vital, com caminhões partindo para toda a Europa. A mercadoria estava pronta para ser enviada a clientes importantes, incluindo négociants de Bordeaux e compradores nos EUA. O presidente honorário da vinícola, Piero Antinori, sugere que o roubo pode ter sido encomendado, comparando-o a um golpe cuidadosamente planejado.

Recentemente, outra vinícola na Itália também foi alvo de ladrões, que levaram 3 mil garrafas de Barolo, avaliadas em até 400 mil euros. As evidências apontam que pode ser o mesmo grupo que tem atacado vinícolas na região nos últimos meses. O recorde anterior de roubo de vinho na Itália foi em 2017, quando 2 mil garrafas foram levadas, mas o roubo atual ultrapassa esse número em 15 vezes.

A vinícola atualizou seu sistema de segurança há três anos, mas a apólice de seguro cobre apenas perdas menores durante o transporte, não um roubo em grande escala como este. A expectativa de que as seguradoras cubram um incidente dessa magnitude é considerada improvável.

Desafios na revenda

Um dos principais desafios para os ladrões é a revenda das garrafas roubadas. Cada garrafa possui um número de lote que pode ser rastreado pela vinícola. Embora as garrafas possam acabar em mãos de colecionadores ou lojas especializadas, vender uma quantidade tão grande sem levantar suspeitas é extremamente difícil. A vinícola já alertou clientes ao redor do mundo e confia na vigilância das estradas toscanas para identificar possíveis movimentações.

A União Europeia tem implementado medidas para o setor vitivinícola, incluindo incentivos para a destruição de vinhedos. A França, por sua vez, enfrenta uma das piores colheitas dos últimos 30 anos, enquanto a produção de Champagne deve ser reduzida pela metade em relação ao ano anterior.

O consumo mundial de vinho tem mostrado uma tendência de queda, com uma redução de 2,7% em 2025. Apesar disso, o mercado de vinhos de luxo continua a ter demanda. Para lidar com a crise, o setor está focando em produzir menos garrafas, mas com preços mais altos, buscando exclusividade.

A promotoria de Arezzo iniciou um inquérito, e as autoridades estão analisando as gravações de segurança para identificar os ladrões. Até o momento, nenhum dos sete homens envolvidos no roubo foi localizado.

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