Látex de jaca surge como alternativa no tratamento de doença que provoca perda dental

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Pesquisadores desenvolvem biomaterial inovador para tratamento da periodontite usando látex de jaca.

Pesquisadores brasileiros criaram um biomaterial à base de látex de jaca, extrato de casca de romã e sinvastatina, que demonstrou ser promissor para o tratamento da periodontite em testes laboratoriais.

A periodontite é uma enfermidade inflamatória crônica causada por infecções bacterianas que resulta na destruição progressiva dos tecidos de suporte do dente, levando à reabsorção óssea e à perda dentária.

Os tratamentos convencionais buscam controlar a infecção e a inflamação, mas muitas vezes não promovem a renovação efetiva dos tecidos periodontais, resultando em eficácia limitada a longo prazo.

Técnicas como regeneração tecidual guiada e enxerto ósseo foram propostas, mas seus resultados clínicos ainda apresentam variações e incertezas.

Para enfrentar esses desafios, os pesquisadores decidiram explorar biomateriais naturais e bioativos que possam atuar de maneira sinérgica no combate à doença periodontal.

O projeto foi desenvolvido na Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, em Sorocaba, e seus resultados foram publicados na revista Polymer Bulletin.

A professora Eliana Aparecida de Rezende Duek, do Departamento de Cirurgia da FCMS, destacou que “começamos a ver o látex extraído da jaca como uma alternativa interessante, pois ele apresenta uma característica adesiva, permitindo que permaneça mais tempo na área afetada pela periodontite, favorecendo a liberação focada dos compostos terapêuticos”.

Como foi feita a combinação

O látex extraído foi combinado com extrato de casca de romã, conhecido por seu potencial antimicrobiano, e sinvastatina, um medicamento que demonstrou atividade anti-inflamatória e capacidade de estimular a formação óssea.

A junção desses elementos resultou em uma matriz mucoadesiva, capaz de aderir às mucosas e atuar diretamente na lesão periodontal.

Além disso, a administração local da sinvastatina se mostrou mais eficaz, uma vez que a via oral geralmente retém a substância no fígado, resultando em uma menor fração alcançando a circulação sistêmica. Isso requer doses mais altas, potencializando riscos de efeitos adversos.

Os cientistas realizaram experimentos utilizando o látex extraído manualmente de jacas frescas, passando por um processo rigoroso de purificação antes da incorporação do extrato de casca de romã.

Avaliação da eficácia

Para avaliar a eficácia do biomaterial, foi conduzido um ensaio in vitro com células-tronco derivadas de tecido adiposo humano, utilizando diferentes concentrações de sinvastatina (0,3%, 0,6% e 1,2%). Nenhuma das concentrações alterou a estrutura do gel e todas foram consideradas seguras.

Os resultados mostraram que todas as concentrações aumentaram a osteoindução, promovendo a diferenciação das células-tronco em osteoblastos, responsáveis pela formação de novo tecido ósseo, evidenciando ainda mais o potencial do material no tratamento da periodontite.

A pesquisadora Duek ressalta que “o biomaterial desenvolvido apresenta grande potencial para futuras aplicações no tratamento da periodontite e até em outras áreas da medicina, especialmente considerando que se trata de um material ainda pouco explorado na literatura científica.”

Embora os resultados sejam promissores, a pesquisadora alerta que ainda há etapas importantes a serem superadas, como a realização de testes em modelos animais e em pacientes.

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