Liliane Pereira e sua trajetória repleta de histórias
Uma trajetória marcada pela paixão pelo Carnaval e pela comunicação
Uma senhora estava no corredor de um supermercado, de costas. Não viu ninguém entrar. Não precisou. Ouviu a risada, aquela gargalhada generosa, cheia, carnavalesca, e virou para confirmar o que já sabia: sabia que era ela, só pela risada. Liliane Pereira não precisava se apresentar. A voz já tinha chegado antes. E a simpatia também.
Há algo de simbólico nessa cena. A Lili, como todo mundo chama, construiu uma carreira inteira assim: chegando antes, ocupando espaços, fazendo-se presente de um jeito que não se esquece. Hoje, com mais de duas décadas transitando entre o Jornalismo e o Carnaval, ela é repórter e apresentadora interina da Record Guaíba, em Porto Alegre. Mas a história começa bem antes das câmeras.
Filha do carnaval
Nascida em 14 de outubro de 1985, em Porto Alegre, Liliane Dias Pereira cresceu em uma casa onde o Carnaval não era festa, mas rotina, identidade e linguagem. O pai, mestre de bateria há décadas, e a mãe, que cuidava da família enquanto o ateliê se instalava na sala, moldaram seu amor pela folia. A casa se transformava no barracão do Bambas da Orgia em tempos de muamba ou apresentações, com tecidos por todo lado e fantasias sendo costuradas e bordadas.
Tem uma irmã, Cristiane, professora, quatro anos e meio mais velha. A dinâmica entre as duas era marcada por discussões, mas sempre se defendiam mutuamente. Nas memórias da jornalista, estão presentes também a desenvoltura e os ares teatrais da menina que encantava a todos com seu carisma.
Aos 11 anos, entrou na Corte Mirim dos Bambas da Orgia. Embora não tenha gostado muito da experiência, a educação nos enredos do Carnaval a impediu de recusar a participação. Em 1997, o pai foi desligado dos Bambas e, após vencer um samba-enredo na Imperadores do Samba, Lili começou a frequentar os ensaios e se apaixonou pelo Carnaval.
A partir daí, foi conquistando posições, concorrendo à rainha mirim dos Imperadores e desfilando como porta-bandeira nos Fidalgos. Em 2010, foi rainha de bateria por dois anos e, nesse período, o Jornalismo, que até então era apenas um plano, começou a se concretizar.
Fazendo acontecer
Lili sempre foi comunicativa, gostando de ler, escrever e recitar poemas na escola. Apesar de ter feito um curso técnico de Publicidade, o Jornalismo nunca pareceu uma escolha óbvia para ela. No entanto, quando a Comunicação a chamou, não hesitou. Antes mesmo de se formar, começou a trabalhar em uma assessoria de imprensa e, logo, entrou no call center da RBS, onde traçou um plano para chegar à redação.
Embora sua experiência no call center não tenha sido bem-sucedida em vendas, ela se destacou em outras áreas, trabalhando em diversas editorias e se tornando editora assistente de capas do ClicRBS. Sua trajetória foi construída com esforço e determinação, refletindo sua ambição e foco.
A voz que foi à rua
Em 2013, Lili cobriu o Carnaval na Rádio Gaúcha, um passo importante para a reportagem. Em 2019, ao saber que a coluna de Carnaval do Diário Gaúcho poderia voltar, ela se apresentou ao editor e foi aceita como colunista, entrevistando grandes nomes da música brasileira.
Durante a pandemia, tornou-se repórter da Gaúcha, apresentando o ‘Notícia na Hora Certa’. O convite para a TV Record Guaíba surgiu em seguida, e ela fez sua estreia em 1º de fevereiro de 2021. Na televisão, Lili percebeu a importância de sua presença, especialmente para crianças que se identificavam com ela.
Uma história de amor sem pressa
O amor também tem seu espaço em sua vida. Um encontro arranjado por amigos a levou a conhecer Marcel Furtado. Após um mês de conversas e momentos juntos, eles se tornaram um casal, e atualmente estão casados há 13 anos, com um filho, Vicente, nascido em 15 de janeiro de 2019.
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