Lula aborda quebra de sigilo, emendas e segurança em entrevista ao SBT
Presidente Lula participa de sabatina a seis dias do segundo turno das eleições
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou nesta segunda-feira (19) de uma sabatina no SBT Brasil, a poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais. Lula disputará a reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
A entrevista foi conduzida pelas jornalistas Basília Rodrigues, Marina Demori e Simone Queiroz, com retransmissão pelo SBT News. Flávio Bolsonaro também foi convidado para uma sabatina na quarta-feira (21), mas ainda não confirmou sua participação.
Na quinta-feira (15), Lula havia participado de uma sabatina na TV Globo, exibida após o Jornal Nacional, e no domingo (18), ocorreu o primeiro debate direto entre os dois candidatos, promovido pela Band. Um novo confronto está agendado para sexta-feira (23), em um debate organizado pela TV Globo.
Durante a entrevista, o presidente reconheceu que esperava vencer as eleições no primeiro turno, mas negou ter subestimado a força eleitoral de Flávio Bolsonaro. Ele também rejeitou acusações de que as recentes políticas econômicas foram implementadas com objetivos eleitorais. Em relação à proposta de transporte público gratuito aos fins de semana, Lula reafirmou que pretende utilizar recursos de emendas parlamentares, mesmo diante da possível resistência no Congresso.
No campo da segurança pública, Lula defendeu a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos e a manutenção das saídas temporárias para presos com bom comportamento, ressalvadas as restrições para crimes graves. Ele confirmou a intenção de criar o Ministério da Segurança Pública após a aprovação da PEC da Segurança, independentemente do resultado eleitoral.
O presidente também abordou a necessidade de uma reforma do Judiciário, propondo a adoção de mandatos para ministros do STF e maior participação da sociedade na escolha de seus integrantes. Lula desafiou Flávio Bolsonaro a autorizar a quebra dos sigilos bancário e telefônico dos dois candidatos e de seus familiares.
Leitura do primeiro turno
Questionado sobre o desempenho no primeiro turno, Lula negou ter subestimado a força de Flávio Bolsonaro e da direita brasileira, mas reconheceu que esperava um resultado mais favorável. Ele destacou que a mobilização popular aumentou após a votação de 4 de outubro, afirmando que o povo deseja garantir a continuidade do processo democrático.
Lula comparou os resultados atuais com a eleição de 2002, quando também disputou o segundo turno. Ele expressou frustração por não ter vencido na primeira etapa, apesar da confiança em seu desempenho eleitoral. Agora, o presidente disse estar mais tranquilo e ciente das perdas de votos em Estados onde esperava um desempenho melhor, afirmando que está trabalhando para recuperar apoio em regiões-chave.
Políticas “eleitoreiras”
O presidente negou que as políticas econômicas anunciadas recentemente tenham motivações eleitorais. Ao ser questionado sobre o reajuste do Bolsa Família e outras iniciativas, Lula afirmou que as medidas dependem de recursos disponíveis e da tramitação no Congresso.
Sobre o reajuste do Bolsa Família, Lula explicou que a equipe econômica encontrou espaço fiscal para corrigir a inflação acumulada. Ele também mencionou o perdão de dívidas de microempreendedores, afirmando que o governo identificou quase R$ 15 bilhões em dívidas irrecuperáveis.
Lula rejeitou a ideia de que a aprovação de propostas importantes após o primeiro turno tenha ocorrido devido ao resultado eleitoral, reiterando que os projetos já estavam em tramitação antes da votação de 4 de outubro.
Dívida pública
O presidente também refutou a avaliação de que o aumento da dívida pública e os gastos com as novas políticas possam levar a uma crise fiscal em 2027. Ele afirmou que todas as propostas estão dentro das possibilidades orçamentárias e destacou a previsão de superávit primário.
Lula utilizou seu histórico de superávits primários em suas duas primeiras gestões para justificar sua condução das contas públicas, afirmando que sabe como gerenciar recursos de maneira responsável.
O presidente criticou a autonomia do Banco Central, argumentando que o governo deve participar das discussões sobre política monetária, e acusou o setor financeiro de pressionar por resultados fiscais sem discutir os custos da dívida pública.
Defesa da PEC 6×1
Lula defendeu a proposta de redução da