Lula afirma que país está preparado para enfrentar El Niño
Brasil se prepara para enfrentar os impactos do El Niño com novas medidas ambientais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o Brasil está “preparado” para os possíveis efeitos do próximo fenômeno El Niño, durante uma cerimônia no Palácio do Planalto focada em ações ambientais. Ele destacou que, pela primeira vez, o governo está se antecipando aos riscos de queimadas e desastres climáticos que podem ocorrer nos próximos meses.
Lula enfatizou a importância de estar preparado, afirmando que o governo está tomando medidas proativas para combater as queimadas que podem ser intensificadas pelo fenômeno. O presidente ressaltou a necessidade de uma abordagem antecipada frente aos desastres climáticos, um compromisso que, segundo ele, nunca foi adotado anteriormente.
Durante o evento, foi anunciado um pacote de medidas ambientais que inclui um investimento de R$ 2 bilhões para ações do Ibama e do ICMBio, além da regulamentação de instrumentos para prevenir e combater incêndios florestais.
As novas ações do governo incluem a criação do Parque Nacional Povos Indígenas do Rio Tanaru, que protegerá uma área de floresta amazônica, e a ampliação do Parque Nacional Serra das Confusões, que fortalecerá a proteção de ecossistemas da Caatinga. Outras iniciativas abrangem a regulamentação do Fundo Nacional do Meio Ambiente e a criação do Sistema Nacional de Trilhas, promovendo turismo sustentável e conservação ambiental.
Além disso, foi sancionada a Política Nacional para Recuperação da Vegetação da Caatinga, que visa incentivar a restauração ambiental e a produção sustentável. O governo também anunciou a captação de R$ 370 milhões para o programa ARPA Comunidades, que apoiará a conservação de vastas áreas da Amazônia.
ALERTAS EL NIÑO
As declarações de Lula surgem após alertas da comunidade científica sobre a formação de um novo episódio do El Niño, que pode ser um dos mais intensos já registrados. Projeções indicam que as temperaturas da superfície do Oceano Pacífico Equatorial podem aumentar significativamente, o que pode resultar em desastres climáticos extremos.
A Organização Meteorológica Mundial também confirmou uma alta probabilidade de que o fenômeno permaneça ativo até novembro, o que pode intensificar secas e enchentes em várias regiões do mundo.
SEGURO RURAL PREOCUPA AGRO
Apesar das promessas de preparação, o setor agropecuário expressa preocupações com a redução dos recursos destinados ao seguro rural. O Ministério da Agricultura bloqueou R$ 461,7 milhões do orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural, o que representa uma diminuição significativa de recursos disponíveis para os produtores.
O orçamento inicial do programa era de R$ 1,01 bilhão, mas após cortes e bloqueios, restaram apenas R$ 529 milhões para execução. Essa contenção é parte de um bloqueio maior anunciado pelo governo federal e afeta diretamente a capacidade dos produtores de se protegerem contra os riscos climáticos.
Dados recentes mostram uma queda alarmante no número de apólices contratadas, passando de 82 mil em 2021 para apenas 26 mil em 2025. Essa redução acende um alerta sobre a vulnerabilidade dos produtores diante da possibilidade de um novo episódio do El Niño.
CONGRESSO PRESSIONA
A diminuição dos recursos ocorre em um momento em que a bancada ruralista busca modernizar o seguro rural e ampliar a cobertura para a próxima safra. O projeto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e aguarda análise no Senado.
Integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária têm pressionado o ministro da Agricultura para garantir a preservação dos recursos do programa. Entidades do setor, como a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, alertam que a redução dos recursos aumenta a vulnerabilidade dos produtores, especialmente com a possibilidade de mudanças climáticas significativas.
Pesquisadores alertam que o fenômeno pode impactar drasticamente o regime de chuvas no Brasil, elevando o risco de secas em algumas regiões e intensificando as chuvas em outras. A preparação para eventos climáticos extremos deve ser uma prioridade contínua, com investimentos em infraestrutura e gestão de riscos, independentemente da confirmação do El Niño.
