Lula assegura a líderes religiosos que não realiza política nas igrejas

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Presidente Lula reafirma a separação entre fé e política em encontro com pastores evangélicos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta quarta-feira, 16 de setembro de 2026, com pastores brasileiros e norte-americanos no Palácio do Planalto. Durante o encontro, Lula destacou sua posição de não participar de comícios em igrejas, enfatizando que esses espaços devem ser dedicados à espiritualidade e à fé.

“Se eu quiser fazer política e comício, eu faço na rua, mas na igreja eu não faço. Em nenhuma igreja”, afirmou o presidente. Para ele, a religião é uma questão sagrada, e cada indivíduo deve ter seu momento de paz para se conectar com Deus.

Esse encontro faz parte de uma estratégia do governo para se aproximar do eleitorado evangélico, um segmento que tem demonstrado resistência ao PT. Recentes levantamentos indicam que uma parcela significativa dos evangélicos desaprova a figura do presidente, o que torna esse diálogo ainda mais relevante.

Durante sua fala, que durou cerca de 25 minutos, Lula abordou temas como desigualdade social, guerras e o papel das religiões na sociedade. O evento foi fechado para jornalistas e não houve transmissão ao vivo, com as declarações do presidente sendo divulgadas posteriormente pela Secretaria de Comunicação.

O presidente anunciou também a intenção de implementar, no próximo ano, uma política voltada para o cuidado de idosos, ressaltando a importância da colaboração das igrejas. Ele mencionou a realidade de muitos idosos que vivem isolados e a necessidade de criar oportunidades para interação social e atividades de lazer.

Lula criticou a atuação de grandes potências em conflitos internacionais, como os da Rússia e Ucrânia e as tensões no Oriente Médio. Ele defendeu que os recursos destinados a armamentos deveriam ser redirecionados para áreas como saúde, educação e alimentação. Essa posição será defendida por Lula em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, marcada para 23 de setembro.

O advogado-geral da União, Jorge Messias, também participou do encontro e reforçou a ideia de que o púlpito é um espaço sagrado, que não deve ser utilizado para disputas políticas. Ele destacou que a mensagem de Cristo é de amor e solidariedade, e não de conquista de poder político.

Messias acrescentou que os cristãos defendem valores fundamentais como liberdade, não discriminação e solidariedade, enfatizando que a fé não deve ser um campo de batalha política ou ideológica.

A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, que esteve presente no evento, já havia declarado apoio à reeleição de Lula em agosto, afirmando que sua permanência no cargo está alinhada com valores cristãos e criticando a candidatura de Flávio Bolsonaro.

Um dos pastores presentes ressaltou a diversidade do grupo evangélico, enfatizando que não existe uma liderança única que represente todos os evangélicos. Ele afirmou que o presidente pode contar com amigos entre os evangélicos.

O reverendo Bronson L.A. Woods, da Igreja Batista Ebenezer, de Atlanta, também participou do encontro, destacando a importância de estreitar laços entre as igrejas dos EUA e do Brasil, citando a atuação de Martin Luther King Jr. na defesa dos direitos civis.

O governo tem buscado ampliar sua agenda com lideranças religiosas. Nos últimos meses, Lula se reuniu com diferentes grupos religiosos, incluindo mórmons, e fez acenos a mulheres e evangélicos durante o lançamento de sua campanha à reeleição.

O PT tem trabalhado para reforçar a ideia de que não há uma única posição entre os cristãos, promovendo encontros e comitês dedicados a este segmento. A primeira-dama, Janja Lula da Silva, tem participado ativamente, incluindo a execução de jingles evangélicos em atos de campanha.

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