Lula critica resistência da Europa a acordo com o Mercosul em Lisboa

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Lula critica protecionismo europeu em Lisboa

O presidente Lula, durante sua visita a Lisboa, expressou descontentamento com a decisão do Parlamento Europeu de contestar judicialmente o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, classificando-a como um “erro”.

Em sua fala, Lula, ao lado do primeiro-ministro português, Luís Montenegro, ressaltou que a postura protecionista da Europa em relação ao comércio internacional é prejudicial. Ele argumentou que tratar a agricultura sul-americana como uma ameaça é um equívoco, pois ignora as oportunidades econômicas que podem surgir da colaboração entre os dois blocos.

O presidente enfatizou que o comércio internacional deve ser baseado na complementaridade e não na competição destrutiva. Ele criticou a ideia de que um bloco poderia eliminar a agricultura do outro, afirmando que o verdadeiro comércio é aquele que busca fortalecer as relações entre os parceiros.

Devido à resistência de alguns países europeus, o acordo entre Mercosul e União Europeia está previsto para entrar em vigor de forma provisória em 1º de maio de 2026.

A declaração de Lula destaca uma das principais divergências nas negociações comerciais, onde setores europeus, especialmente do agronegócio, têm resistido a uma abertura comercial mais ampla. O presidente argumentou que esse debate está sendo contaminado por um protecionismo disfarçado de cautela econômica, que, segundo ele, não é justificável.

Ao defender o acordo, Lula reiterou a importância de um equilíbrio nas relações comerciais, afirmando que não faz sentido enfraquecer um parceiro comercial com barreiras que inviabilizem sua competitividade. Essa crítica é direcionada às exigências europeias por salvaguardas que, na visão brasileira, diminuem as vantagens do pacto.

Além de criticar o protecionismo, Lula também buscou valorizar a relação estratégica com Portugal, afirmando que os dois países estão vivendo um momento de grande potencial. Ele apresentou Portugal como uma porta de entrada para empresas brasileiras que desejam expandir sua presença no mercado europeu.

O presidente citou a Embraer como um exemplo de sucesso dessa colaboração, destacando que a atuação da empresa em Portugal demonstra como as empresas brasileiras podem se integrar ao mercado europeu, gerando emprego e investimento.

Lula também elogiou a crescente presença de brasileiros em Portugal, ressaltando a migração de profissionais qualificados e famílias de classe média. Ele afirmou que a história aproximou Brasil e Portugal em um momento de alta densidade econômica e social, promovendo um intercâmbio que vai além do comércio.

Em sua fala, Lula defendeu o multilateralismo, afirmando que o avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia representa uma resposta aos setores que buscam enfraquecer as instituições internacionais. Ele acredita que a concretização do pacto demonstraria que a cooperação ainda pode prevalecer sobre o nacionalismo econômico e as disputas geopolíticas.

O presidente também reiterou a necessidade de revitalizar a Organização Mundial do Comércio, defendendo uma governança global mais ativa e instituições multilaterais que possam arbitrar conflitos em um cenário internacional cada vez mais fragmentado.

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