Lula defende reciprocidade após expulsão de delegado dos Estados Unidos
Presidente Lula se pronuncia sobre pedido dos EUA por saída de delegado da Polícia Federal.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou sobre a solicitação do governo dos Estados Unidos para que um delegado da Polícia Federal deixe o país. A declaração foi feita durante uma viagem à Alemanha, onde Lula destacou a necessidade de reciprocidade nas relações diplomáticas.
“Não sei o que aconteceu. Fui informado hoje de manhã. Acho que, se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa”, afirmou Lula, enfatizando a postura firme do Brasil diante de possíveis ingerências externas.
Ele também ressaltou que o Brasil deseja que as relações sejam mantidas de maneira correta, mas não aceitará abusos de autoridade por parte de representantes americanos. A situação gera um clima de tensão entre os dois países, especialmente em questões de cooperação e segurança.
Entenda
Recentemente, o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos anunciou que pediu a saída de um “funcionário brasileiro” do país. Embora não tenha mencionado nomes, a comunicação sugere que se trata de um delegado da Polícia Federal, vinculado à prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.
A mensagem divulgada na rede social X indica que o servidor teria tentado contornar os mecanismos formais de cooperação jurídica entre os dois países. O órgão americano expressou a necessidade de que nenhum estrangeiro possa manipular o sistema de imigração para evitar pedidos formais de extradição.
“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso”, destacou a publicação.
Alexandre Ramagem, ex-deputado e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi solto na última quarta-feira após passar dois dias preso na Flórida. Ele enfrenta uma condenação de 16 anos de prisão imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em um caso relacionado a tentativas de golpe de Estado.
Após sua condenação, Ramagem fugiu do Brasil e passou a residir nos Estados Unidos. Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes autorizou o envio de um pedido formal de extradição para que ele fosse trazido de volta ao Brasil.
A Polícia Federal informou que a prisão de Ramagem foi resultado de uma cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos. Ele foi detido em Orlando e é considerado foragido da Justiça brasileira, enfrentando acusações graves, incluindo organização criminosa armada e tentativa de golpe de Estado.