Lula desembarca na França para o G7 e governo vislumbra encontro com Trump
Planalto aposta em encontro entre Lula e Trump no G7
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou nesta segunda-feira (15) a Évian-les-Bains, na França, para participar da reunião de líderes do G7, que ocorrerá nesta terça-feira (16).
A estratégia do Palácio do Planalto foi garantir a chegada de Lula no primeiro dia do evento, considerando a possibilidade de Donald Trump participar apenas da abertura, como ocorreu no G7 do ano passado no Canadá.
Embora não tenha havido uma orientação formal para solicitar uma reunião bilateral com Trump, a ausência de pedidos de ambos os lados não é vista como um obstáculo para um possível encontro.
A avaliação do governo é a seguinte:
- A proposta de uma tarifa adicional de 25%, defendida por Washington com base em alegações de práticas comerciais desleais, ainda pode ser revertida através de negociações.
- A sobretaxa de 12,5%, relacionada à falta de ações adequadas contra trabalho forçado, é considerada uma decisão praticamente consolidada pelos integrantes da equipe brasileira.
Embora o Brasil não faça parte do G7, Lula tem sido convidado para encontros do grupo desde seu retorno ao Palácio do Planalto em 2023. O G7 é composto por algumas das maiores economias do mundo, incluindo Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão.

Na Casa Branca, Lula e Donald Trump discutem terras raras, crime organizado e comércio.
Outras bilaterais
Lula também se reunirá com o presidente da França, Emmanuel Macron, na segunda-feira (15).
Na sequência, está prevista uma reunião com o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza.
Na terça-feira (16), o presidente brasileiro terá um encontro bilateral com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi.
Além disso, Lula planeja se encontrar com o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi, antes da cerimônia de abertura do G7.
O presidente brasileiro também deseja dialogar com líderes dos demais países do grupo, como Alemanha, Canadá, Itália e Reino Unido.
Participação no G7
Lula deve adotar uma postura crítica em relação ao protecionismo e ao unilateralismo, que se referem a medidas excessivas para proteger produtores locais em detrimento de estrangeiros e a ações tomadas sem prévia comunicação ou negociações.
Diplomatas afirmam que Lula transmitirá aos líderes do G7 sua oposição ao tarifaço do governo americano, sem confrontar diretamente o presidente dos Estados Unidos.
Recentemente, o presidente francês, Emmanuel Macron, liderou uma reunião preparatória para o G7, onde o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representou o Brasil.
Fontes diplomáticas indicam que Mauro Vieira defendeu a necessidade de fortalecer organismos como a OMC, considerando o cenário global de medidas unilaterais, como o tarifaço de Trump.
Almoço sobre inteligência artificial
Uma das pautas do G7 incluirá um almoço para discutir inteligência artificial. Lula deve argumentar que o Brasil não adota uma postura hostil em relação às plataformas digitais e está aberto a receber operações de empresas de tecnologia, desde que respeitem as leis brasileiras.
O Escritório do Representante Comercial americano justificou o tarifaço contra o Brasil alegando que o Poder Judiciário brasileiro toma medidas contra empresas americanas de tecnologia, o que será um ponto de debate durante o encontro.
