Lula destina R$ 520 milhões para campanhas publicitárias antes das eleições, superando o investimento de Bolsonaro em 2022
Governo Lula aumenta gastos com propaganda em comparação a Bolsonaro.
O governo Lula ampliou significativamente os investimentos em propaganda no primeiro semestre deste ano, com despesas que superaram em mais de 100% os gastos do governo anterior no mesmo período.
Até junho, a gestão petista empenhou R$ 520 milhões para a Secretaria de Comunicação Social (Secom), focando em campanhas publicitárias antes das restrições impostas pelo calendário eleitoral. Em contraste, o governo Bolsonaro havia destinado R$ 213,5 milhões durante o mesmo intervalo em 2022.
Durante anos eleitorais, a propaganda oficial tende a ser mais intensa no primeiro semestre, visto que a legislação proíbe a publicidade institucional a partir de 4 de julho, exceto em casos de “grave e urgente necessidade pública” reconhecidos pela Justiça Eleitoral.
A legislação também estabelece limites de gastos para o primeiro semestre, com base nos valores empenhados nos três anos anteriores em diversas ações de comunicação, incluindo as da Secom.
Além das campanhas publicitárias, o governo alocou cerca de R$ 7,6 milhões para a contratação de pesquisas de opinião, afirmando que segue rigorosamente os limites de despesas legais.
A Secom destacou que comparações entre diferentes mandatos devem considerar as particularidades de cada período, as políticas públicas em andamento e as necessidades de campanhas de utilidade pública, evitando análises superficiais baseadas apenas em valores.
Os dados levantados refletem os valores atualizados pela inflação e destinados à comunicação institucional, que é especificamente voltada para a Secom. O valor empenhado indica a parte do orçamento reservada para cobrir despesas específicas.
O governo também possui verbas destinadas à “publicidade de utilidade pública”, que são utilizadas principalmente para campanhas do Ministério da Saúde, mas que também ficam restritas durante o período eleitoral, exceto para campanhas informativas sobre temas como vacinação.
A campanha mais custosa até o momento, com um investimento de R$ 150 milhões, tem o slogan “conectando entregas e futuro”. Essa propaganda é classificada como de posicionamento e visa divulgar diversas iniciativas da administração petista.
Além disso, foram empenhados pelo menos R$ 80 milhões para uma campanha sobre a nova jornada de trabalho, que foi lançada com o tema “tempo com a família”. A proposta para acabar com a escala 6×1 foi aprovada pela Câmara e ainda aguarda votação no Senado.
O governo também alocou R$ 45 milhões para promover a nova edição do Desenrola Brasil, um programa voltado à renegociação de dívidas.
No ano passado, os gastos com campanhas de utilidade pública e propaganda do governo atingiram cerca de R$ 1,6 bilhão, o maior valor desde 2017. A Secom foi responsável pela maior parte desse valor, com R$ 968 milhões, enquanto o restante foi utilizado principalmente pelo Ministério da Saúde.
Para 2026, o Orçamento prevê uma redução nos gastos com propaganda, estimando cerca de R$ 1,5 bilhão, com a maior parte destinada a ações de interesse público, totalizando R$ 825,3 milhões.
Durante este mandato, a gestão Lula aumentou a proporção de gastos com campanhas publicitárias online de cerca de 20% para mais de 30%. Essa mudança resultou em um investimento maior em plataformas como Google e Meta em comparação aos anúncios em canais de televisão como SBT e Band.
O governo também tem buscado a colaboração de influenciadores digitais para promover suas iniciativas. A Secom contratou três agências para gerenciar uma conta de R$ 100 milhões destinada à produção de conteúdos como vídeos e podcasts.
Os detalhes financeiros das campanhas publicitárias não são amplamente divulgados no Portal da Transparência, que apresenta apenas informações genéricas sobre os pagamentos feitos a cada agência.
A Secom possui um portal específico com dados sobre a distribuição de anúncios, embora as informações estejam desatualizadas.
Os custos de algumas campanhas foram levantados a partir de notas de empenho registradas no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) e confirmados pela Secom.
Recentemente, o PL, partido do senador Flávio Bolsonaro, solicitou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a suspensão de todas as campanhas publicitárias do governo Lula, alegando que os gastos já ultrapassaram o teto legal para o primeiro semestre do ano eleitoral. O ministro André Mendonça é o relator do caso.
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