Lula discursa na ONU sobre defesa da democracia e soberania sem mencionar os EUA
Presidente Lula deve reforçar defesa da democracia na ONU sem citar os EUA diretamente.
O presidente Lula (PT) utilizará o discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, marcada para a próxima terça-feira, 22, para enfatizar a importância da democracia e da soberania brasileira. A mensagem ainda está em desenvolvimento e pode ser ajustada até a sua partida para Nova York, no domingo, 20.
A orientação no Palácio do Planalto é que o discurso evite se transformar em uma resposta direta ao governo anterior dos Estados Unidos. A estratégia consiste em tratar temas como democracia, soberania e respeito às instituições como princípios fundamentais da política externa brasileira, permitindo que a mensagem sobre a eleição de 2026 seja compreendida sem a necessidade de menções explícitas aos Estados Unidos.
Essa abordagem já foi utilizada em discursos anteriores de Lula na ONU. Em 2025, o presidente abordou a relação entre o enfraquecimento das democracias e a crise do multilateralismo, além de afirmar que o Brasil não aceitaria intervenções externas em sua soberania.
A defesa das instituições ganhará destaque neste ano, especialmente com a proximidade das eleições presidenciais. O governo brasileiro considera a possibilidade de interferência externa uma preocupação constante, especialmente diante das ações tomadas pelos Estados Unidos durante a crise bilateral que começou em 2025.
O tema da democracia será abordado em um contexto mais amplo. Historicamente, os discursos de Lula na Assembleia Geral da ONU têm priorizado questões internacionais, como conflitos, meio ambiente, desenvolvimento e o funcionamento das instituições multilaterais. Em 2025, o presidente também discutiu a reforma da ONU, comércio internacional e a necessidade de fortalecer o multilateralismo.
Nas discussões preparatórias para este ano, um dos tópicos que ganhou relevância é o combate ao crime organizado. O governo brasileiro reconhece que esse problema transcende a segurança interna e se tornou uma questão de destaque na agenda internacional, especialmente em relação às medidas militares adotadas pelos Estados Unidos na região.
Nesse contexto, Lula deverá defender a importância da cooperação internacional e regional no combate às organizações criminosas. O governo também pretende ressaltar a já existente estrutura de cooperação entre Brasil e Estados Unidos na área de segurança, promovendo mecanismos conjuntos de enfrentamento ao crime organizado.
A guerra e as crises humanitárias permanecerão entre os principais temas abordados. O presidente frequentemente utiliza a tribuna da ONU para pleitear soluções diplomáticas para conflitos e fortalecer as instituições multilaterais. Em 2025, ele dedicou parte significativa de seu discurso à incapacidade das instituições internacionais de responder adequadamente às crises contemporâneas.
Além disso, a questão climática e a agenda ambiental também farão parte do discurso, assim como a defesa de reformas na governança global. A programação oficial da 81ª Assembleia Geral prevê debates sobre paz, desenvolvimento sustentável, direitos humanos e ação climática, alinhando-se ao lema deste ano, que busca restaurar a confiança e adaptar a ONU às transformações globais.
Este será o décimo discurso de Lula na abertura da Assembleia Geral da ONU, mantendo a tradição brasileira que se iniciou em 1955. A sessão deste ano terá início em 22 de setembro, em Nova York.
