Lula é favorito, mas máquina sob seu comando enfrenta problemas, afirma Afif
Guilherme Afif Domingos lança livro e reflete sobre a política brasileira atual.
Guilherme Afif Domingos, 82 anos, é uma figura proeminente na política brasileira, atuando como secretário de Tarcísio de Freitas. Com uma carreira que inclui assessoria a Paulo Guedes, vice-governadoria de Geraldo Alckmin e ministério durante o governo de Dilma Rousseff, ele expressa sua lamentação pelo impeachment da ex-presidente, que completa dez anos.
Desde que se tornou diretor da Associação Comercial de São Paulo há 50 anos, Afif tem defendido os pequenos empresários e a desburocratização. Ele é também deputado constituinte e um dos fundadores do PSD, e agora lança o livro “Juntos Chegaremos Lá”, que traz memórias de sua trajetória política e reflete sobre o cenário atual do Brasil.
No livro, Afif compartilha experiências marcantes, como conversas com Silvio Santos e a formação do centrão nos anos 1980, além de suas primeiras campanhas eleitorais ao lado de Gilberto Kassab. Ele acredita que o eleitor brasileiro tende a rejeitar extremismos, o que pode abrir espaço para um candidato de centro nas próximas eleições.
Afif considera Lula o favorito na corrida eleitoral, devido ao controle da máquina pública, mas vê Flávio Bolsonaro como um concorrente viável. Ele observa que, apesar do poder de Lula em mobilizar a massa, a crise fiscal que o país enfrenta não deve ser ignorada.
O lançamento do livro ocorrerá na Livraria da Travessa do Shopping Iguatemi, em São Paulo, nesta quarta-feira, às 18h30. Durante a entrevista, Afif se define como um “radical de centro” e discute a polarização política atual, afirmando que o espaço para o centro ainda existe, mesmo em meio à radicalização dos extremos.
Ele argumenta que o liberalismo, que defende há décadas, está ganhando espaço, especialmente com a formalização da economia informal através do Microempreendedor Individual (MEI). Afif destaca que o eleitorado feminino, representado por profissionais como boleiras e manicures, busca liberdade e menos impostos, características que não se alinham estritamente à esquerda.
Refletindo sobre sua participação na eleição presidencial de 1989, Afif menciona que a campanha foi marcada pela comunicação inovadora e não pela força de grandes máquinas partidárias. Ele recorda que, ao crescer nas intenções de voto, tornou-se uma ameaça ao sistema estabelecido, o que levou a tentativas de desestabilizá-lo.
Afif também fala sobre sua interação com Silvio Santos durante a campanha, onde buscou um vice forte, mas acabou não concretizando a parceria. Ele defende que sua trajetória, longe de ser camaleônica, é resultado de uma defesa coerente dos pequenos empresários, independentemente do governo em que esteve inserido.
Sobre Lula, Afif o vê como um manipulador habilidoso, que pode mudar de opinião conforme a conveniência, mas que enfrenta desafios devido à crise fiscal. Quanto a Flávio Bolsonaro, ele reconhece o apelo do discurso conservador, mas ressalta que a popularidade de Flávio depende da capacidade de conquistar novos eleitores.
Afif acredita que Tarcísio de Freitas deve completar seu mandato como governador antes de pensar na presidência, argumentando que ele está estabelecendo bases sólidas para futuras candidaturas. Ele também critica a gestão de Haddad, prevendo dificuldades para sua reeleição devido a decisões impopulares, como o aumento de impostos.
No livro, Afif ainda relembra momentos curiosos da campanha de 1989, incluindo sua parceria com Kassab, que começou como um jovem empresário interessado em política. Essa relação evoluiu ao longo dos anos, evidenciando a importância das conexões e do trabalho em equipe na política.
RAIO-X | GUILHERME AFIF DOMINGOS, 82
Atualmente, é secretário especial de Projetos Estratégicos do Estado de São Paulo. Foi vice-governador (2011-14), ministro da Micro e Pequena Empresa (2013-15), presidente do Sebrae (2015-19) e deputado federal Constituinte (1987-89). Formado em administração pela Faculdade de Economia do Colégio São Luís.
