Lula envia ministros a aldeias de MS após ameaças de envenenamento

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Ministros visitam Mato Grosso do Sul para investigar ameaças a comunidades indígenas após eleições.

O presidente Lula enviou três ministros a Mato Grosso do Sul para investigar denúncias de ameaças e ataques contra comunidades indígenas após o segundo turno da eleição presidencial, realizado no dia 25 de outubro. A comitiva está programada para visitar duas aldeias neste sábado, 31, enquanto a Polícia Federal e o Ministério Público Federal iniciam investigações sobre episódios de intimidação e agressões.

A missão é composta por Eloy Terena, dos Povos Indígenas; Janine Mello, dos Direitos Humanos e da Cidadania; e Wellington César Lima e Silva, da Justiça e Segurança Pública. Durante a visita, os ministros irão às aldeias Taquapery, em Coronel Sapucaia, e Sassoró, em Tacuru, além de conceder uma coletiva de imprensa em Dourados.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) reportou mais de 30 casos de violência relacionados ao processo eleitoral em Mato Grosso do Sul. As denúncias incluem ameaças de morte, agressões e atropelamentos. Embora muitos relatos indiquem hostilidades após a reeleição de Lula, a motivação por trás de cada incidente ainda está sendo investigada.

Um dos casos mais preocupantes ocorreu em Tacuru, onde áudios atribuídos a um funcionário da prefeitura circularam com ameaças contra indígenas, sugerindo o envenenamento da água consumida pelas comunidades. O prefeito Rogério Torquetti confirmou a ligação do servidor com a administração e anunciou seu afastamento para investigação, embora o funcionário não tenha responsabilidade pelo abastecimento de água.

O Ministério Público Federal abriu uma investigação e solicitou esclarecimentos à prefeitura sobre as gravações e as medidas de proteção implementadas. A denúncia gerou temor entre os moradores das aldeias, que dependem de caminhões-pipa para o fornecimento de água, embora não haja confirmação de contaminação.

As denúncias também incluem um possível atropelamento intencional de um indígena em Coronel Sapucaia e o incêndio da casa de uma rezadeira de 90 anos na aldeia Jaguapiré, em Tacuru. O Conselho Indigenista Missionário informou que pelo menos cinco mortes de indígenas na região estão sendo investigadas, com as autoridades buscando esclarecer as circunstâncias e a possível motivação eleitoral.

Em resposta às denúncias, o governo federal formou uma força-tarefa para monitorar a situação. A Funai e o Ministério dos Povos Indígenas acionaram a Polícia Federal, enquanto o MPF conduz suas próprias investigações. A Força Nacional foi autorizada a atuar por 90 dias em apoio à Funai, sob a coordenação da PF. Essa portaria foi assinada antes do segundo turno das eleições e publicada após os episódios denunciados.

As investigações não apenas focarão na motivação eleitoral, mas também buscarão entender a relação dos ataques com os conflitos históricos pela posse e demarcação de terras indígenas, que têm afetado as comunidades Guarani e Kaiowá no estado.

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