Lula se reencontra com Jaques Wagner na Bahia após crise provocada por operação da PF

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Presidente Lula inicia maratona de inaugurações na Bahia após afastamento de Jaques Wagner.

O presidente Lula desembarca na Bahia nesta quarta-feira (1º) para uma série de inaugurações, uma semana após o afastamento do senador Jaques Wagner do cargo de líder do governo no Senado.

Este será o primeiro evento público do presidente ao lado de Wagner, seu aliado e amigo de longa data, que está sob investigação da Polícia Federal por supostas irregularidades financeiras relacionadas ao Banco Master.

Lula participará de atividades nas cidades de Alagoinhas, Vera Cruz e Salvador, mas não estará presente no cortejo do 2 de Julho, que celebra a independência da Bahia, devido a recomendações médicas após tratamento de saúde recente.

Esta será a primeira vez em quatro anos que o presidente não comparece ao evento, no qual tradicionalmente atrai grande participação popular, tendo desfilado em carro aberto nos últimos anos.

O reencontro entre Lula e Wagner ocorre em um contexto de tensões internas no Partido dos Trabalhadores, após a operação da Polícia Federal. Colaboradores de Lula esperam que o clima durante os eventos seja de normalidade.

Um aliado próximo do presidente ressaltou que a amizade entre Lula e Wagner deve prevalecer. Durante a conversa que resultou na destituição de Wagner, Lula expressou confiança na inocência do senador e a necessidade de que isso seja provado.

Alguns membros do partido consideram a possibilidade de Lula fazer uma deferência a Wagner, embora essa ideia seja vista como remota.

Uma facção do governo defendeu o afastamento de Wagner, temendo que as repercussões do caso Master comprometam a imagem do presidente. Em contrapartida, outros setores do PT argumentam que o senador deve ser fortalecido para não prejudicar a base de apoio de Lula na Bahia.

A Bahia foi crucial para a vitória de Lula nas eleições de 2022, contribuindo com uma expressiva margem de quatro milhões de votos em relação ao seu adversário, Jair Bolsonaro.

Outro ponto de controvérsia na Bahia envolve Eduardo Sodré, enteado de Wagner, também alvo de investigações. A Polícia Federal identificou um pagamento de R$ 3,5 milhões de uma empresa vinculada à operação Credcesta para uma empresa da esposa de Sodré.

Sodré ocupa o cargo de secretário de Meio Ambiente da Bahia desde 2023, e o governador Jerônimo Rodrigues assegurou sua permanência no cargo, afirmando que não haverá afastamento sem provas concretas.

No entanto, a decisão gerou desconforto entre alguns aliados de Jerônimo, que temem que a situação de Sodré possa refletir negativamente sobre o governador. A expectativa é que Sodré considere a possibilidade de resignar-se, assim como Wagner fez ao deixar a liderança do governo.

Wagner retomou sua agenda pública na última sexta-feira (26), participando de atos políticos na Bahia, onde recebeu apoio do governador, que defendeu sua inocência e ressaltou a importância de sua contribuição ao estado.

No dia seguinte, Wagner reiterou sua inocência e desqualificou as acusações feitas pela Polícia Federal. Ele também expressou sua insatisfação com a forma como a operação foi conduzida, especialmente em relação à divulgação de materiais apreendidos.

As agendas de Lula na Bahia têm um caráter institucional, incluindo a inauguração de um hospital em Alagoinhas e o início da construção de uma megaponte entre Salvador e a Ilha de Itaparica.

À noite, o presidente participará da reinauguração do Teatro Castro Alves, em Salvador, que passou por uma reforma de R$ 260 milhões e contará com apresentações de artistas renomados.

O evento promete ser uma celebração significativa, reunindo a cultura e a arte da Bahia em um momento de renovação e esperança para a população.

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