Lula se reúne com Trump por três horas e conquista prazo para evitar novas tarifas

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Diálogo entre Lula e Trump adia novas tarifas sobre o Brasil.

Uma conversa de três horas entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump resultou em um alívio temporário para o Brasil, que estava à beira de enfrentar novas tarifas norte-americanas. A reunião, realizada na Casa Branca, foi a primeira visita de trabalho do presidente brasileiro aos Estados Unidos desde a posse de Trump.

A delegação brasileira chegou a Washington sob a pressão de possíveis tarifas, com indícios de que os EUA estavam prontos para utilizar a investigação da Seção 301 sobre práticas comerciais. Essa investigação, que deve ser concluída em julho, poderia resultar em novos impostos sobre produtos brasileiros.

Uma fonte brasileira comentou: “Saímos daqui com mais 30 dias. E em 30 dias tentaremos mais 30”. Embora não tenha sido uma solução definitiva, a equipe brasileira conseguiu ganhar tempo para discutir as tarifas.

Durante a reunião, foi proposta a criação de um grupo de trabalho para abordar as divergências entre os dois países em relação às tarifas comerciais. Essa proposta foi aceita por Trump, que concordou em dar um prazo de 30 dias para que as partes apresentem suas propostas.

No Salão Oval, o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, expressou as principais queixas dos Estados Unidos. Apesar de um superávit comercial de US$ 30 bilhões, Greer apontou questões em que o Brasil teria tarifas sobre produtos norte-americanos.

Lula afirmou que o grupo de trabalho deve apresentar uma proposta dentro do prazo estipulado, destacando a necessidade de um entendimento mútuo sobre as tarifas.

A visita de Lula tinha como objetivo aproveitar a relação aparentemente positiva entre os dois presidentes para evitar tarifas que poderiam impactar negativamente a economia brasileira, especialmente em um ano eleitoral.

Além das tarifas, outros assuntos relevantes foram discutidos, como a cooperação contra o crime organizado e a importância dos minerais críticos, buscando reestabelecer uma relação que se tornara mais distante nos últimos meses.

A visita, considerada uma possibilidade desde janeiro, ganhou forma rapidamente após negociações entre as equipes de ambos os presidentes. Lula minimizou a importância do processo de agendamento, ressaltando que o essencial era a realização da reunião.

Com essa visita, Lula ganha um respiro em um ano eleitoral, especialmente considerando que seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro, mantém uma boa relação com Trump. Embora o tema das eleições não tenha sido abordado diretamente, a discussão sobre tarifas e segurança pode ter implicações relevantes para o cenário político brasileiro.

“Não é esse o objetivo, mas se ajudar a conter uma interferência nas eleições no Brasil, claro que ajuda”, comentou uma fonte brasileira, destacando a importância da reunião para a política interna do país.

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