Lula visita navio da Petrobras no Amapá para destacar indícios de petróleo e reforçar laços com Alcolumbre
Presidente Lula visita Amapá para discutir exploração de petróleo e reaproximação política.
O presidente Lula tem agendada uma visita ao Amapá nesta segunda-feira (17), com o objetivo de reforçar o discurso de soberania nacional, especialmente após a recente descoberta de petróleo na bacia da Foz do Amazonas. A viagem também visa estreitar laços com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
A Secretaria de Relações Institucionais já enviou convites para políticos da região, que recepcionarão o presidente no Oiapoque pela manhã. Lula estará acompanhado por Alcolumbre, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e o governador Clécio Luís, que busca a reeleição.
Durante a visita, a comitiva irá ao navio-sonda da Petrobras, onde uma coletiva de imprensa está prevista para o fim da tarde. O governo espera que, no mesmo dia, o Ibama anuncie a autorização para a perfuração de mais três poços na área, com o intuito de aprofundar os estudos sobre as reservas.
Recentemente, a Petrobras anunciou a identificação de hidrocarbonetos no primeiro poço explorado na bacia da Foz do Amazonas, em águas ultraprofundas. Embora a confirmação dependa de testes, a expectativa é de que se trate de petróleo, o que aumenta o interesse na região.
O poço Morpho é o primeiro do bloco 59 a ser explorado pela estatal. Lula tem enfatizado a importância de novas explorações para evitar que o Brasil retorne ao status de importador de petróleo. O país precisa descobrir novas reservas, especialmente considerando que a produção do pré-sal deve começar a declinar entre 2034 e 2035.
A questão da soberania nacional se tornou um tema central na campanha de reeleição de Lula, especialmente após desentendimentos com o governo dos Estados Unidos. A busca por independência energética é um dos pilares desse discurso.
A descoberta de petróleo pela Petrobras também se alinha com a mensagem de Lula de que o Brasil está “pronto para mais”, reforçando sua posição perante os eleitores quanto aos avanços que pretende realizar em um novo governo.
A visita de Lula, logo no início da campanha eleitoral, é um passo importante para reestabelecer a relação com Alcolumbre, com quem não se comunicava há mais de 90 dias após a rejeição da indicação de Jorge Messias para o STF. O ministro Alexandre de Moraes interveio para promover a reconciliação entre eles.
Desde então, Lula e Alcolumbre se encontraram em mais duas ocasiões, e esta será a quarta vez em um período de dez dias. Após a última reunião, o presidente do Senado desbloqueou três pautas prioritárias para o governo, incluindo propostas de emenda à Constituição e um projeto de lei sobre exploração de minerais críticos.
Durante a visita, Lula deve manifestar apoio à reeleição do governador Clécio Luís, que enfrenta desafios nas pesquisas de intenção de voto. O governador também se comprometeu a apoiar a candidatura de Lula.
A perfuração do poço Morpho enfrentou um dos processos de licenciamento ambiental mais complexos do país, marcado por idas e vindas e questionamentos sobre a área técnica do Ibama. A licença foi finalmente concedida em outubro de 2025, sob pressão política, especialmente de Alcolumbre.
Para ambientalistas, a expansão da produção de petróleo contraria advertências sobre a necessidade de reduzir a queima de combustíveis fósseis para mitigar as mudanças climáticas. O governo, por sua vez, defende que o Brasil deve explorar suas riquezas naturais.
Na COP, dois meses após a autorização da perfuração, Lula tentou, sem sucesso, aprovar medidas para reduzir o consumo de combustíveis fósseis.
