Lulinha classifica viagem em grupo à Europa como arriscada em conversa com lobista

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Mensagens revelam preocupação de Lulinha sobre viagem com lobista

Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, expressou desconforto em mensagens enviadas à lobista Roberta Luchsinger, revelando receios sobre uma viagem planejada em 2024.

Em diálogos obtidos pela Polícia Federal, Lulinha mencionou que ambos estavam se “arriscando” e sugeriu que esperassem alguns meses antes de realizar a viagem. No entanto, as mensagens não esclarecem o que exatamente o incomodava ou o que poderia mudar após esse período.

A conversa foi divulgada recentemente e faz parte das investigações que envolvem o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é suspeito de tráfico de influência. Durante a troca de mensagens, Roberta mencionou que ela e uma terceira pessoa, identificada como “Nenuchas”, haviam discutido detalhes sobre a excursão para um grupo de oito pessoas. Lulinha, no entanto, foi categórico ao afirmar que não achava prudente viajar naquele momento.

Roberta questionou a resistência de Lulinha, argumentando que a viagem não seria dispendiosa, com um custo estimado em R$ 100 mil por pessoa, incluindo passagens e hospedagem. Apesar disso, Lulinha reiterou que estavam se arriscando e que seria melhor aguardar alguns meses para que pudessem viajar “sem medo”. Quando Roberta perguntou sobre o que ele temia, não houve resposta nas mensagens divulgadas.

O relatório da PF indica que o destino em questão era a Europa, com foco na Suíça, onde Roberta pretendia explorar a abertura de contas bancárias. A preocupação de Lulinha pode estar relacionada ao receio de que os custos da viagem fossem tornados públicos, forçando-o a justificar a origem do dinheiro.

Além disso, o documento da PF revela que, naquele período, o grupo estava tentando viabilizar um projeto para a compra de produtos à base de canabidiol pelo governo federal, que despertava o interesse de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, que está preso por envolvimento em irregularidades relacionadas a aposentadorias. O grupo também considerou Liechtenstein como um possível destino para movimentação de recursos.

A investigação concluiu que Lulinha, Roberta e o empresário Fernando Bittar formavam um núcleo que buscava intermediar interesses privados junto a órgãos federais. O relatório sugere que Lulinha atuava com discrição, mas era frequentemente mencionado por Roberta como uma figura chave nas decisões sobre os projetos.

As investigações estão focadas em possíveis crimes de corrupção e tráfico de influência, envolvendo órgãos como o Ministério da Saúde e a Telebras. As suspeitas surgiram a partir da análise de materiais relacionados a um caso anterior, mas não estão diretamente ligadas aos descontos indevidos em benefícios de aposentados.

OUTROS LADOS

A defesa de Lulinha afirmou que as mensagens demonstram uma preocupação genuína com a exploração indevida de uma viagem entre amigos. O advogado Marco Aurélio de Carvalho destacou que o vazamento das mensagens parece ser criminoso e clandestino, questionando a autenticidade das mesmas.

O Poder360 tentou contato com a defesa de Roberta Luchsinger, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem. O mesmo ocorreu com a defesa de Fernando Bittar, e o jornal continuará buscando contato para eventuais manifestações.


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