Machosfera: a influência de discursos machistas e ódio às mulheres na formação de adolescentes

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O Globo Repórter investiga o crescimento da machosfera e suas consequências entre os jovens.

Um fenômeno crescente nas redes sociais, conhecido como machosfera, tem se tornado um espaço de disseminação de discursos de ódio contra mulheres, promovendo a submissão feminina e uma masculinidade pautada na dominação e violência. A edição mais recente do programa revela como esse movimento tem atraído cada vez mais adolescentes.

Esse movimento, também denominado red pill, faz referência ao filme Matrix e é composto por influenciadores que alegam que os homens estão perdendo espaço para as mulheres, clamando pela recuperação de uma suposta superioridade masculina. O conteúdo gerado por esses grupos é amplamente disseminado através de vídeos, memes e cursos, acumulando bilhões de visualizações.

A reportagem disponibiliza um vídeo completo sobre o tema, que pode ser assistido acima.

O avanço da violência entre adolescentes

Um levantamento inédito da Vara da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro revelou um alarmante crescimento de 600% nos casos de violência de gênero cometidos por adolescentes entre 2019 e 2025. Além do aumento dos registros, a faixa etária dos agressores também diminuiu, com casos envolvendo meninos de apenas 12 e 13 anos se tornando comuns no sistema judiciário.

Diante da gravidade dessa situação, as medidas protetivas da Lei Maria da Penha, antes restritas a adultos, estão sendo aplicadas com maior frequência também a adolescentes.

Levantamento inédito mostra crescimento de 600% nos casos de violência de gênero praticada por adolescentes

O estudo destaca o aumento exponencial dos casos de violência de gênero entre jovens, evidenciando a necessidade urgente de medidas eficazes para enfrentar essa realidade.

A indústria da machosfera

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro estão analisando as mensagens veiculadas pela machosfera. Um estudo recente examinou 76 mil vídeos em mais de 7 mil canais, que juntos somam mais de 4 bilhões de visualizações e 23 milhões de comentários.

Os resultados indicam que parte desse conteúdo minimiza a violência contra mulheres, fomenta a misoginia e transforma o discurso de ódio em um mercado altamente rentável. A monetização desse conteúdo beneficia tanto os criadores quanto as plataformas digitais, que são impulsionadas pelos algoritmos que favorecem o alto engajamento.

Machosfera: fenômeno vira objeto de estudo na Universidade Federal do Rio de Janeiro

A análise desses dados revela a gravidade do fenômeno e a necessidade de uma resposta contundente da sociedade.

Como combater o problema

O programa também apresenta iniciativas que visam combater o avanço da machosfera. Em várias escolas, estudantes estão se organizando em comitês para discutir e combater a misoginia, explorando novas formas de masculinidade que promovem o respeito e a igualdade de gênero.

Especialistas, incluindo psicólogos e educadores, ressaltam que o diálogo aberto em casa e nas instituições de ensino é fundamental para evitar

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