Mais da metade dos bancos no Brasil registra perdas superiores a US$ 10 milhões anuais devido a fraudes
Fraudes financeiras no Brasil geram perdas significativas para instituições bancárias.
As fraudes financeiras estão se tornando uma preocupação crescente para o sistema bancário brasileiro. Um estudo recente revela que 51% das instituições financeiras consultadas enfrentam perdas anuais superiores a US$ 10 milhões devido a atividades fraudulentas.
Além disso, 89% dos executivos entrevistados notaram um aumento nas tentativas de golpes em 2026. A pesquisa foi realizada com 100 profissionais em posições de liderança, incluindo gerentes e diretores das áreas de prevenção a fraudes e compliance, sendo que a maioria atua em instituições com gestão de ativos consideráveis.
Os dados mostram que o Brasil está seguindo as tendências globais, mas enfrenta desafios significativos em relação ao impacto financeiro e à complexidade dos ataques. O número de líderes que relatam um crescimento nas tentativas de fraude subiu de 77% para 89% em um ano, superando a média global de 81%.
O levantamento também destaca a gravidade dos prejuízos enfrentados pelas instituições financeiras. Enquanto 51% dos entrevistados reportam perdas anuais superiores a US$ 10 milhões, 19% afirmam que os danos ultrapassam US$ 25 milhões, e em 3% dos casos, os prejuízos superam US$ 100 milhões por ano.
Os clientes também são afetados por essas fraudes. A pesquisa indica que 74% dos executivos acreditam que seus consumidores acumulam perdas anuais superiores a US$ 5 milhões em fraudes autorizadas, enquanto 44% relatam prejuízos que ultrapassam US$ 10 milhões por ano.
A velocidade com que as fraudes ocorrem é outro ponto alarmante. Atualmente, 82% dos líderes de fraude no Brasil expressam grande preocupação com a aceleração dessas atividades, um número que supera a média global de 76%.
Criminosos utilizam novas tecnologias
O estudo também ressalta o crescimento dos ataques baseados em inteligência artificial. Nos últimos 12 meses, 63% dos executivos brasileiros relataram incidentes envolvendo deepfakes, superando a média global de 50%. Essa tecnologia tem sido utilizada para tornar golpes mais convincentes, especialmente em um cenário em que métodos como Pix e transações via redes sociais estão se tornando comuns.
Os golpes incluem simulações de emergências familiares por meio de mensagens ou chamadas de voz, onde áudios gerados por inteligência artificial imitam a voz de familiares para solicitar transferências imediatas. Também foram registrados casos de falsificação de identidade que envolvem supostos gerentes bancários, utilizando áudios e vídeos manipulados para persuadir vítimas a transferirem recursos.
A dificuldade em identificar essas fraudes é evidente, com 60% dos entrevistados considerando os golpes de falsificação de identidade muito ou extremamente difíceis de detectar.
As preocupações em relação à evolução da IA Agêntica são significativas. De acordo com a pesquisa, 90% dos profissionais acreditam que essa tecnologia poderá ser a principal vulnerabilidade explorada pelo crime organizado nos próximos 12 meses. Além disso, 83% consideram desafiador distinguir entre atividades legítimas assistidas por inteligência artificial e ações maliciosas.
Um especialista destaca que a transição de agentes de IA tradicionais para a IA Agêntica representa uma mudança significativa. Enquanto um agente comum executa tarefas específicas, a IA Agêntica tem a capacidade de contornar obstáculos e encontrar soluções alternativas, o que a torna uma ferramenta poderosa nas mãos de criminosos.
Os executivos enfatizam a importância do compartilhamento de informações entre instituições financeiras como uma estratégia fundamental para fortalecer a prevenção. A pesquisa revela que 88% acreditam que o intercâmbio de inteligência entre bancos pode ter um impacto significativo na redução de fraudes. Além disso, 89% consideram que o acesso a informações em tempo real sobre contas destinatárias poderia ajudar a interromper golpes antes que os recursos sejam dispersos.
Por fim, a pesquisa aponta diferenças nas motivações para investir em prevenção entre o Brasil e outros mercados. Apenas 23% dos executivos brasileiros citam a retenção de clientes como um fator importante, um número inferior à média global de 39%.
Os especialistas alertam que a IA já está redefinindo a velocidade e a sofisticação das ameaças no Brasil, permitindo que criminosos escalem ataques de engenharia social com deepfakes em um ritmo acelerado. Para enfrentar esse cenário, é crucial que o setor financeiro avance além das checagens de identidade estáticas, buscando um entendimento
