Marabraz solicita recuperação judicial devido a dívida de R$ 140 milhões
Marabraz solicita recuperação judicial para reestruturar dívidas de R$ 140 milhões
A rede de móveis e eletrodomésticos Marabraz protocolou no último sábado um pedido de recuperação judicial na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo.
O processo envolve um passivo de R$ 140,188 milhões e abrange cinco empresas associadas à operação da rede. A Marabraz enfrenta dificuldades financeiras e de liquidez, mas garante que suas atividades comerciais permanecem viáveis. O objetivo do pedido é reorganizar as dívidas e assegurar a continuidade dos negócios, com as lojas mantendo suas operações.
5 EMPRESAS
O pedido de recuperação judicial inclui as seguintes empresas:
- Comercial de Móveis Jordanésia;
- S.V.C. Jaraguá Comercial;
- Comercial Móveis das Nações;
- Comercial Zena Móveis;
- Monta Móveis Prestadora de Serviços.
As empresas estão sob controle comum e compartilham praticamente os mesmos sócios. A Marabraz também destacou que mais de 1.000 ações trabalhistas foram movidas contra diversas empresas do grupo, e a integração das operações justifica a inclusão dessas cinco sociedades no mesmo processo de recuperação judicial.
DISPUTA FAMILIAR
A Marabraz atribui parte de suas dificuldades financeiras à ruptura de uma estrutura patrimonial que foi mantida por décadas pela família controladora.
Imóveis comerciais e outros bens estavam registrados em uma holding familiar e utilizados como garantias em operações de crédito, embora não pertencendo diretamente às empresas. Disputas familiares e societárias interromperam esse arranjo, resultando na perda das garantias e na consequente redução de limites de crédito pelos bancos, além do aumento dos custos operacionais.
A empresa também citou a elevação das taxas de juros, o endividamento crescente, a retração do consumo, o aumento da inadimplência e as mudanças trazidas pela digitalização do comércio como fatores que pressionaram suas finanças.
PEDIDOS À JUSTIÇA
No pedido de recuperação judicial, a Marabraz solicitou uma decisão provisória para evitar o bloqueio ou a retenção de recursos financeiros, além de suspender medidas de cobrança contra as empresas do grupo.
A empresa também pediu a manutenção de serviços essenciais para o funcionamento das lojas, incluindo:
- energia elétrica;
- abastecimento de água;
- telefonia;
- sistemas de tecnologia;
- processamento de pagamentos por cartão.
O grupo busca ainda proteção temporária contra ações de despejo, com o intuito de manter as lojas operando e permitir a retirada de mercadorias e equipamentos dos imóveis alugados.
DOCUMENTOS CONTÁBEIS
Inicialmente, as empresas não apresentaram toda a documentação contábil exigida para o processo de recuperação judicial.
A Marabraz informou que a falta de dados oficiais se deve à interrupção dos serviços da empresa responsável pelo sistema de registros financeiros do grupo. A expectativa é que os documentos sejam apresentados em até 30 dias após o restabelecimento desse sistema, enquanto relatórios gerenciais foram anexados ao processo com as informações disponíveis.
HISTÓRIA DA MARABRAZ
A Marabraz foi fundada na década de 1950, quando o libanês Abdul Hamid Mohamad Fares chegou ao Brasil e começou a trabalhar como mascate em São Paulo. Em 1965, ele estabeleceu a Credi-Fares, a primeira loja de móveis da família, que foi assumida pelos filhos após sua morte em 1978. A marca Lojas Marabraz foi adquirida em 1986.
A rede já contou com 135 unidades na região metropolitana de São Paulo, na Baixada Santista, no Vale do Paraíba e no interior paulista.
OUTRO LADO
A Marabraz confirmou o pedido de recuperação judicial e afirmou que continuará operando normalmente.
Em um comunicado, a empresa destacou sua trajetória de mais de cinco décadas no varejo brasileiro e reiterou seu compromisso com a transparência e a continuidade das atividades. A Marabraz enfatizou que a recuperação
