Marta Kroth se destaca como jornalista completa
Marta Kroth: uma jornalista que equilibra carreira e vida pessoal com paixão e coragem.
Um aviso sutil e revolucionário é lançado por Marta Kroth em meio a uma rotina intensa: “Cuidado para não trabalhar demais, viu? Não esquece de saber quem tu és além de jornalista.” Essa ironia se revela em sua própria vida, onde, ao mesmo tempo em que sugere desacelerar, se envolve em uma nova pós-graduação e coordena complexos núcleos de programação televisiva, dedicando mais de 12 horas diárias ao trabalho.
Definir Marta além de sua profissão como jornalista é desafiador, até para ela. Em uma sociedade que rotula as pessoas por cargos, ela busca resistir ao produtivismo, valorizando o afeto, o cinema e as memórias de infância. Essa resistência é um ato de coragem, que sempre esteve presente em sua trajetória.
Atualmente, Marta coordena o núcleo de Cultura e Comportamento da Rede RS, um braço de produção jornalística da Box Brasil. À frente do programa ‘Revista RS’, ela se sente revitalizada ao retornar ao set de gravação, onde, acompanhada pelo diretor Matheus Pinho, redescobriu a alegria da criação. A renovação de seu espírito criativo é evidente em seu olhar ao retomar o comando de um projeto especial.
“Voltar para o set deu um ar novo, uma renovada. A gestão consome muito tempo e deixa a parte criativa em stand-by. Ver que ainda é possível criar uma lacuna para exercitar a criatividade e dirigir é bom demais”, afirma, refletindo sobre a importância de encontrar espaços para a criatividade em meio a um ambiente de trabalho exigente. Esse retorno faz parte de um plano mais amplo para consolidar Porto Alegre como um polo audiovisual, criando oportunidades para uma nova geração de profissionais na área.
Para entender a visão de Marta, é necessário voltar no tempo até Tapera, no interior do Rio Grande do Sul. Crescendo como a caçula de seis irmãos em uma família de trabalhadores, ela foi influenciada por um ambiente que valorizava a justiça e a consciência social. Em um lar onde se discutia democracia e dignidade humana, Marta desenvolveu um senso crítico desde cedo.
Apesar das dificuldades financeiras, sua infância foi marcada por experiências que despertaram seu interesse por notícias. O contato com o jornalismo começou quando sua irmã se casou com um jornalista, permitindo que ela tivesse acesso às redações locais. Sua primeira experiência no jornalismo foi marcante, quando, ainda jovem, assumiu as responsabilidades de um jornal durante as férias do cunhado.
Aos 17 anos, Marta ingressou na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), onde vivenciou um período de redemocratização do Brasil. A imensidão da biblioteca da universidade a impressionou, contrastando com o ambiente de sua casa, onde estudava em um quarto compartilhado. A experiência universitária foi um divisor de águas, repleta de debates sobre política e cultura.
Iniciando sua carreira em Florianópolis, Marta integrou a equipe fundadora do Diário Catarinense, o primeiro jornal informatizado da América Latina. Com apenas um ano de formada, já ocupava cargos de destaque, como a subeditoria de Variedades. Seu desejo de explorar novas linguagens a trouxe de volta a Porto Alegre, onde se formou em Publicidade e Propaganda e trabalhou em uma produtora de elenco.
A virada para a televisão ocorreu quando foi convidada para o programa ‘Cidade Viva’. Sua trajetória na TVE consolidou seu papel como servidora pública, onde utilizou o audiovisual como ferramenta de cidadania. Um de seus trabalhos mais notáveis foi a reportagem ‘Menino ou Menina: O Transsexualismo’, que abordou questões de gênero em um momento em que o tema era pouco discutido.
Em 2011, Marta se tornou a primeira mulher a assumir a direção-geral da TVE, enfrentando desafios significativos em uma estrutura sucateada. Sua gestão foi marcada pela transição para o sinal digital e pela implementação de políticas inclusivas, como cotas raciais e vagas para pessoas com deficiência. No entanto, a proposta de extinção da Fundação Piratini trouxe um momento de crise, impactando profundamente os trabalhadores da emissora.
A vida pessoal de Marta também reflete escolhas conscientes. Casada por 10 anos, decidiu não ter filhos, uma decisão que considera madura. Livre de pressões sociais, ela se dedica a ser uma tia presente e a cultivar amizades duradouras. Seu tempo livre é preenchido com cinema, música e encontros com amigos,
